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Planos globais de energia nuclear podem superar meta de triplicar capacidade até 2050
Associação Nuclear Mundial revela que governos planeiam expansão da energia nuclear além do previsto, mas alerta para a necessidade de ação imediata.
22 Jan 2026 - 15:30
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Foto: Pixabay
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A ambição dos governos em relação à energia nuclear poderá superar a meta global de triplicar a capacidade até 2050, estabelecida por mais de 30 países na COP28, revela o mais recente relatório da Associação Nuclear Mundial (ANM).
Segundo o relatório, a capacidade nuclear mundial poderá atingir 1446 GWe até 2050, ultrapassando a meta de 1200 GWe, caso os planos governamentais se concretizem. Estes incluem a extensão da operação de reatores existentes, a conclusão de projetos em construção e a implementação de projetos planeados e propostos.
Em Davos, durante o Fórum Económico Mundial, Sama Bilbao y León, diretora-geral da ANM, destacou “o papel essencial da energia nuclear como pedra angular para satisfazer a crescente procura de eletricidade e energia”, acrescentando que os governos têm ambições que superam a meta de triplicar a capacidade nuclear até 2050. “Agora, governos visionários, líderes da indústria global, financiadores e sociedade civil precisam de trabalhar juntos e agir atempadamente para transformar essas ambições em ações concretas. Esta é a nossa oportunidade de garantir um futuro energético mais limpo e seguro para todos, em todo o lado, alimentado por energia nuclear acessível, disponível 24/7 e de baixo carbono”, referiu.
O relatório aponta que, se os planos forem cumpridos, a capacidade nuclear global deverá chegar a 502 GWe até 2030, impulsionada principalmente pela conclusão dos reatores atualmente em construção. Além disso, 50 países já têm planos para operar capacidade nuclear até 2050, com nações estabelecidas como China, França, Índia, Rússia e Estados Unidos a representar quase 1000 GWe desse total.
Apesar da perda de produção da Alemanha e do Japão, desde 2012 a produção nuclear global voltou a apresentar uma tendência ascendente, com um crescimento particularmente forte na Ásia, onde a produção mais do que duplicou. Isto foi impulsionado pelo rápido crescimento da produção nuclear na China, bem como pela entrada em funcionamento de novos reatores na Índia, Paquistão e Emirados Árabes Unidos.

Muitos outros países estão a explorar a energia nuclear, e a cooperação internacional, com apoio de países experientes e instituições multilaterais, será determinante para a implementação em novos mercados, refere a associação.
Grandes empresas globais, como Amazon, Google, Meta e Dow Chemicals, já manifestaram apoio à meta de triplicar a energia nuclear. Do ponto de vista financeiro, bancos multilaterais, incluindo o Banco Mundial, e 16 instituições financeiras de grande porte confirmaram apoio a projetos nucleares.
O relatório aponta, porém, que esta trajetória vai exigir licenciamento e autorizações aceleradas, investimentos em infraestruturas e ciclos de combustível, bem como quadros políticos claros para suportar a operação prolongada dos reatores existentes e a implementação de reatores modulares pequenos (SMR, na sigla em inglês).
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