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Portugal é o país da UE que mais desperdício alimentar gera nos agregados familiares

Com um desperdício de 122 kg por ano por pessoa, os lares portugueses contrastam com os vizinhos espanhóis, que apresentam o menor desperdício da UE neste segmento. Análise da cadeia alimentar do Eurostat refere ainda que a produção agrícola na UE já está a sofrer com o clima extremo.

15 Dez 2025 - 07:30

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Foto: Freepik

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Portugal está na liderança na União Europeia (UE) no que diz respeito ao desperdício alimentar gerado nos agregados familiares, com uma massa de 122 kg por habitante por ano, segundo a edição de 2025 dos “Indicadores da Cadeia Alimentar Europeia”, agora divulgados pelo Eurostat.

Segue-se a Roménia (99 kg) e Itália (98 kg) a registar as maiores proporções de desperdício alimentar nos agregados familiares, enquanto Espanha apresentou a mais baixa, nomeadamente 26 kg de desperdício por pessoa (ver gráfico abaixo).

No que toca ao desperdício gerado pelas atividades de fornecimento de alimentos e bebidas, Irlanda, Malta e Chipre registam as maiores proporções de desperdício, seguidos da Áustria e da Roménia.

Em média, a geração de desperdício alimentar na UE foi, em 2023, de 130 kg de massa fresca por pessoa, sendo que mais de metade (53%) teve origem nos agregados familiares e 18% nas atividades de transformação e fabrico de alimentos e bebidas, sintetiza o Eurostat.

Os “Indicadores da Cadeia Alimentar Europeia” apontam ainda que a UE voltou a afirmar o seu peso no setor agroalimentar, produzindo, em 2024, 258 milhões de toneladas de cereais, 162 milhões de toneladas de leite cru e 21 milhões de toneladas de carne de suíno.

No comércio externo, o bloco fechou o ano com um excedente de 36 mil milhões de euros em produtos agrícolas, da pesca, alimentares e bebidas, reforçando a sua posição como exportador mundial.

Também os preços continuaram a registar subidas: os alimentos e bebidas não alcoólicas aumentaram 2,3%, as bebidas alcoólicas 2,7% e os serviços de restauração 5,1%, refletindo pressões persistentes ao longo da cadeia alimentar europeia.

A publicação analisa três áreas, a produção agrícola, pescas e transformação alimentar; a distribuição, comércio, transportes e canais de venda; e o consumo e ambiente, que destaca o impacto ambiental da cadeia alimentar.

Arturo de la Fuente Nuño, diretor interino de Estatísticas Setoriais e Regionais do Eurostat, destaca o papel relevante dos dados “para a construção de um sistema alimentar sustentável e para a proteção da biodiversidade, assegurando simultaneamente os meios de subsistência rurais e reforçando a estabilidade da cadeia alimentar, tudo isto alinhado com a ambição de alcançar a neutralidade climática”.

Entre as prioridades-chave sublinhadas estão, por exemplo, fortalecer o papel dos agricultores na cadeia de valor; promover práticas agrícolas sustentáveis e capacitar os consumidores para escolhas alimentares equilibradas e ecológicas. E também reforçar a resiliência, ajudando o sistema alimentar a adaptar-se a choques como as alterações climáticas, a volatilidade dos mercados ou crises sistémicas.

“A política agrícola comum desempenha um papel crucial na configuração do setor agrícola da UE. As recentes reformas incentivaram práticas mais verdes, alocando mais fundos à conservação e à biodiversidade”, assinala Arturo de la Fuente.

Produção agrícola na UE sofre com clima extremo

Em 2024, a beterraba sacarina foi a principal cultura agrícola da União Europeia, com 121,6 milhões de toneladas colhidas. Seguiram-se o trigo comum e a espelta, com 111,6 milhões de toneladas, e os hortícolas frescos, incluindo melões e morangos, com 63,5 milhões de toneladas. O milho grão e a mistura milho-espiga registaram 58,9 milhões de toneladas, a batata 50,8 milhões, e a cevada 49,0 milhões de toneladas.

Apesar destes números, a produção cerealífera sofreu um revés significativo devido a condições climáticas extremas. A Europa central e sudeste enfrentou secas prolongadas, enquanto as regiões ocidental e norte, assim como grande parte da Península Ibérica, registaram chuvas intensas durante o verão. Rendimentos mais baixos e uma área de cereais reduzida em 2,9% resultaram numa queda de 5,1% na produção total, com 257,7 milhões de toneladas colhidas, ou seja, 50,2 milhões abaixo da colheita recorde de 2014.

Segundo o Eurostat, este cenário reforça a vulnerabilidade do setor agrícola europeu às mudanças climáticas e a necessidade de medidas que aumentem a resiliência e a sustentabilidade da produção alimentar.

O Eurostat indica ainda que, em Portugal, tal como na Estónia, Lituânia, Hungria e Polónia, os recursos utilizados na produção agrícola (fertilizantes, pesticidas, sementes, ração animal, energia e serviços veterinários) mais do que duplicaram entre 2009 e 2024, refletindo a crescente utilização de materiais essenciais para manter a produtividade agrícola. Esta evolução evidencia, segundo a análise, o esforço dos agricultores destes países na modernização das práticas agrícolas e na adaptação aos desafios associados ao aumento dos custos de produção.

Foto: Freepik

A agricultura ganhou maior peso no balanço climático europeu ao longo das últimas décadas. Em 2023, o setor representou 11,8% das emissões totais de gases com efeito de estufa da União Europeia, uma subida face aos 10,0% registados em 1990 — apesar de uma redução global de 25,4% nas emissões agrícolas nesse período.

Grande parte deste impacto deve-se ao facto de a agricultura continuar a ser a principal fonte europeia de dois gases particularmente potentes: o metano e o óxido nitroso. O setor é responsável por 59,3% das emissões de metano e 77,0% das de óxido nitroso na UE, quotas que aumentaram nos últimos 30 anos.

Portugal com a 5ª maior frota pesqueira

No que toca à pesca, em 2024, Espanha possuía a maior frota pesqueira em termos de arqueamento bruto (indicador para capacidade de armazenamento e operação a bordo), representando 24,8% do total da UE, seguida de França (12,3%) e Itália (11,8%).

Seguem-se os Países Baixos (8%) e depois Portugal, com 6,8% de toda a frota pesqueira da União, colocando-se em quinto lugar nesta distribuição. Os restantes 36,3% da frota total estão distribuídos por vários países.

Foto: Unsplash

Em 2024, a frota pesqueira da União Europeia contava com 68 863 embarcações de captura. A grande maioria das embarcações tinha menos de 10 metros de comprimento.

Ao longo da última década, a frota pesqueira da UE tem vindo a diminuir de forma constante, tanto em número de embarcações como em capacidade e potência. Comparativamente com 2014, a frota perdeu 10 850 embarcações em 2024, uma queda de 13,6%.

No Mediterrâneo e no Mar Negro, as capturas foram dominadas pela sardinha (19%) e pela anchova (18%).

Em termos de países da UE, Espanha registou a maior captura ,em 2023, com 698 mil toneladas em peso vivo (21% do total), seguida da Dinamarca (495 mil toneladas; 15%) e da França (470 mil toneladas; 14%). Já Islândia e Noruega registaram uma captura combinada de 3,6 milhões de toneladas, 10% superior ao total capturado por toda a frota pesqueira da UE.

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