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Portugal é o terceiro país europeu com mais “vales do hidrogénio”
Sines concentra quatro dos seis projetos portugueses identificados pela Comissão Europeia, mas atrasos no financiamento, na regulação e nos contratos de venda mantêm todo o setor num impasse entre o anúncio e a produção real.
10 Jul 2026 - 08:17
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Portugal ocupa o terceiro lugar na Europa em número de vales de hidrogénio (hydrogen valleys), os ecossistemas integrados que juntam produção, armazenamento, transporte e consumo de hidrogénio verde numa mesma região, segundo o mais recente relatório sobre o setor publicado pela Clean Hydrogen Partnership, a parceria público-privada da Comissão Europeia dedicada ao hidrogénio verde.
De acordo com os dados citados no documento, a Alemanha lidera com 19 vales identificados na plataforma europeia H2V, seguida por Espanha, com 12. Portugal surge em terceiro, com seis projetos reconhecidos, à frente de França (cinco) e dos Países Baixos (quatro).
Os seis projetos portugueses são o GreenH2Atlantic, o Galileu, o H2tALENT, a Luso Eco Fuels, o MadoquaPower2X e o Sines Hydrogen Valley, este último a funcionar como uma espécie de guarda-chuva que agrega alguns dos projetos. Quatro dos seis estão total ou parcialmente sediados em Sines, o que confirma a aposta do país no porto de águas profundas alentejano como principal polo de produção e exportação de hidrogénio verde.
O quadro nacional reflete uma tendência mais ampla identificada no relatório europeu: depois de um pico de entusiasmo em 2022, o setor do hidrogénio limpo entrou numa fase de consolidação marcada por atrasos e alguns cancelamentos, motivados sobretudo por incerteza regulatória, custos de produção acima do previsto e dificuldade em fechar contratos de venda vinculativos com clientes finais.
“Como muitas transições energéticas transformadoras antes dela, o setor do hidrogénio limpo percorreu um arco familiar: do entusiasmo inicial e dos anúncios ambiciosos, passando por um período necessário de consolidação, até agora entrar nas fases iniciais de uma verdadeira comercialização”, refere no relatório Valérie Bouillon-Delporte, diretora executiva da Clean Hydrogen Partnership. Mas acrescenta: “O hidrogénio limpo nunca foi tão importante e o percurso do setor até agora é prova de que o caminho da ambição à realidade, embora exigente, está bem encaminhado”.
Assim, o documento sublinha que a plataforma europeia já contabiliza 106 vales de hidrogénio, com um investimento total planeado de 134 mil milhões de euros, e que 37% dos projetos já atingiram a decisão final de investimento, uma subida face aos 32% registados no ano anterior.
Europa na liderança
O relatório sublinha ainda que a Europa concentra cerca de 91% de todos os vales de hidrogénio registados na plataforma H2V a nível mundial, um sinal da prioridade estratégica que o continente atribui a esta tecnologia e da intensidade da atividade nos vários Estados-membros. Segundo o documento, essa concentração assenta num quadro regulatório favorável construído ao longo dos últimos anos, nomeadamente, a Estratégia Europeia para o Hidrogénio de 2020, o plano REPowerEU de 2022 e a Diretiva das Energias Renováveis III (RED III) de 2023.
Para os promotores portugueses, o desafio identificado pelo relatório é comum ao resto da Europa: garantir clientes-âncora que assegurem a compra do hidrogénio a longo prazo. Segundo o levantamento, a maioria dos promotores europeus admite ter garantido menos de um quarto do volume de vendas que necessita para viabilizar os projetos, um obstáculo que ajuda a explicar a estagnação dos projetos.

Vales de hidrogénio na Europa
Porém, perante as adversidades, a responsável da sublinha que “os projetos que sobreviveram e progrediram são hoje mais sólidos do ponto de vista comercial, mais maduros tecnicamente e mais preparados para investimento do que há alguns anos”.
Segundo o relatório, a Europa tem hoje mais de 600 MW de capacidade de produção de hidrogénio já em funcionamento, mais 225 MW do que em 2024. A isto soma-se um total de 3,3 GW já com decisão final de investimento aprovada na Europa.
A nível global, o setor tem anunciados 440 GW de capacidade até 2030, uma meta ainda muito distante dos números atuais, e que depende de os projetos anunciados se concretizarem.
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