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ESG: Da obrigação à vantagem competitiva

Clientes, investidores, instituições financeiras, parceiros de negócio e colaboradores valorizam organizações responsáveis, transparentes e sustentáveis. Por Carlos Brito, presidente da Ordem dos Economistas - Norte

10 Jul 2026 - 06:32

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Carlos Brito, presidente da Ordem dos Economistas - Norte

Carlos Brito, presidente da Ordem dos Economistas - Norte

Vivemos um tempo em que a competitividade das empresas não depende apenas da qualidade dos seus produtos, da eficiência operacional ou da capacidade de inovar. Depende também, e cada vez mais, da forma como respondem aos grandes desafios económicos, sociais e ambientais que marcam o nosso tempo.

É neste contexto que os critérios ESG (Environmental, Social and Governance) assumem uma importância crescente. Durante anos, as empresas olharam para esses critérios como uma exigência regulatória e, consequentemente, como um custo. Hoje, essa visão é claramente limitadora pois a verdadeira questão não é escolher entre competitividade e sustentabilidade. Pelo contrário, as empresas mais bem preparadas são precisamente aquelas que conseguem transformar o ESG em vantagens competitivas efetivas.

Clientes, investidores, instituições financeiras, parceiros de negócio e colaboradores valorizam organizações responsáveis, transparentes e sustentáveis. Em muitos setores, integrar critérios ESG passou a ser condição para aceder a mercados, participar em cadeias internacionais de fornecimento ou beneficiar de melhores condições de financiamento.

Para as micro, pequenas e médias empresas este desafio pode parecer ainda mais exigente. No entanto, adiar o processo representa um risco crescente. Quanto mais cedo incorporarem os princípios ESG na sua estratégia, mais preparadas estarão para transformar exigências em oportunidades de negócio e crescimento futuro.

Mas esta transformação não depende apenas das empresas. Exige igualmente que os decisores públicos adotem políticas de sustentabilidade consistentes e previsíveis, capazes de resistirem às agendas eleitorais. Os desafios ambientais, sociais e de governação não mudam de quatro em quatro anos – neste contexto específico, as políticas públicas também não deveriam mudar.

Existe ainda uma terceira dimensão, frequentemente esquecida: a responsabilidade individual. A sustentabilidade exige cidadãos conscientes que resistam à tentação dos comportamentos oportunistas que maximizam benefícios imediatos à custa do interesse coletivo. Em última análise, a pergunta que se deve fazer não é apenas que planeta recebemos das gerações anteriores, mas sobretudo que mundo queremos deixar às gerações vindouras.

Felizmente, as empresas não estão sozinhas neste percurso. Existem hoje iniciativas que disponibilizam apoio técnico, diagnóstico, formação e ferramentas práticas, muitas delas gratuitas. É precisamente esse o propósito do projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade” promovido pela AEP – Associação Empresarial de Portugal, que constitui uma excelente oportunidade para as empresas de menor dimensão iniciarem e acelerarem a integração dos critérios ESG na sua estratégia.

A sustentabilidade não é um custo nem uma obrigação burocrática. É uma escolha estratégica, um compromisso coletivo e um investimento no futuro. Quanto mais cedo empresas, governos e cidadãos assumirem este desafio, maiores serão as oportunidades de construir uma economia mais competitiva, uma sociedade mais coesa e um futuro mais sustentável. Porque, e parafraseando António Guterres, Secretário Geral da ONU, só há duas soluções: “ação coletiva ou suicídio coletivo. A escolha está nas nossas mãos.”

 

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