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Portugal no Top 5 dos combustíveis verdes para o transporte marítimo
Estudo da Transport & Environment coloca Espanha e Dinamarca na liderança, mas falta de segurança regulamentar está a impedir que a maioria dos projetos avance para além da fase de planeamento.
20 Dez 2025 - 10:30
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Portugal está no Top 5 dos países que lideram a produção de hidrogénio verde e e-fuels (combustíveis sintéticos produzidos usando eletricidade de origem renovável) que podem ser utilizados no transporte marítimo, segundo uma nova análise da Transport & Environment (T&E).
A análise da organização europeia não-governamental que trabalha na área das políticas de transportes e energia coloca, respetivamente, Espanha, Dinamarca, Noruega, França e Portugal na liderança da produção destes combustíveis.
No entanto, a falta de segurança regulamentar está a impedir que a maioria dos projetos avance para além da fase de planeamento, referem os analistas.

Para a T&E, a União Europeia (UE) deveria introduzir requisitos mais ambiciosos para os combustíveis verdes no setor do transporte marítimo para garantir que os projetos saem do papel, “o que permitiria criar empregos e reforçar a segurança energética da Europa”.
A atualização de 2025 do observatório de e-combustíveis marítimos identificou até 80 projetos de hidrogénio verde e e-combustíveis que poderiam ser usados para alimentar navios, representando mais de 3,6 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) até 2032. Contudo, a T&E concluiu que apenas 5% desses volumes estão claramente dedicados ao setor marítimo, enquanto só uma pequena proporção dos projetos atingiu a fase de decisão final de investimento (DFI) ou entrou em funcionamento, o que sugere que a falta de segurança regulamentar está a impedir o avanço dos projetos.
Alguns países estão a posicionar-se como potenciais fornecedores de e-combustíveis marítimos. A Noruega dispõe das maiores quantidades de combustíveis dedicados principalmente ao setor marítimo, seguida de Espanha, Finlândia e Dinamarca. O projeto Kassø, da European Energy, que fornece e-metanol à Maersk, entrou em funcionamento em 2025 e é o primeiro projeto de e-combustíveis marítimos e o maior do seu género na Europa, rere a organização.
Entre os projetos de e-amoníaco e e-metanol que incluem os setores marítimo ou dos transportes como potenciais compradores, o setor marítimo constitui, em geral, o maior potencial de absorção, conclui o estudo. No caso do e-amoníaco, por exemplo, o transporte marítimo foi referido como potencial cliente para o dobro dos volumes de projeto face às indústrias dos fertilizantes e química. Sinais fortes de procura por parte do setor marítimo dariam aos produtores a garantia, muito necessária, de que existe um mercado sólido para os seus combustíveis verdes.
“O maior projeto de e-combustíveis marítimos entrou em funcionamento este ano. Isto mostra o que é possível, mas aumentar a escala dos projetos continua a ser um desafio. As metas atuais para o transporte marítimo simplesmente não são suficientemente ambiciosas para levar os investidores a colocar dinheiro em cima da mesa”, refere Constance Dijkstra, gestora de políticas marítimas da T&E. E acrescenta: “Para além de incentivos à procura, os produtores de combustíveis precisam de financiamento direto. Promover um setor forte de e-combustíveis pode reforçar a liderança industrial da Europa e reduzir a dependência do continente de combustíveis fósseis importados”.
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