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Portugal pode ganhar 0,8% do PIB com certificação ambiental na indústria
Estudo da NOVA SBE conclui que adoção de selos de sustentabilidade em setores-chave pode gerar impacto de 9.600 milhões de euros e criar 49 mil empregos, bem como atrair consumidores.
04 Fev 2026 - 14:49
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Portugal tem condições para se posicionar como líder europeu na produção industrial sustentável. Para isso, precisa de transformar o investimento em energias renováveis numa vantagem competitiva através de certificação ambiental credível. A conclusão é de um estudo da NOVA School of Business and Economics (NOVA SBE), que quantifica pela primeira vez o potencial económico desta aposta.
Segundo a investigação “Oportunidade Industrial Verde em Portugal“, a adoção de sistemas de certificação ambiental em setores estratégicos da indústria nacional pode traduzir-se num impacto de 0,8% no PIB (o equivalente a 9.611 milhões de euros) e criar cerca de 49 mil postos de trabalho, representando um aumento de 1% no emprego.
O estudo identifica uma oportunidade particularmente relevante nas chamadas indústrias hard to abate. Isto é, setores como a siderurgia ou o vidro, onde a descarbonização dos processos produtivos é mais complexa e dispendiosa. Para estas indústrias, argumenta a equipa da NOVA SBE, a certificação é essencial para que a transição energética não represente apenas um custo extra, mas possa ser valorizada pelo cliente final.
Consumidores pagam mais por produtos certificados
A investigação analisou dados de vendas de grandes retalhistas internacionais para demonstrar que existe uma disposição dos consumidores para pagar mais por produtos sustentáveis. Na Amazon, cerca de 45 mil produtos com o selo Climate Pledge Friendly (CPF), introduzido em 2020, registaram um aumento médio de 13% nas vendas brutas nas 12 semanas seguintes à atribuição da certificação. No caso do IKEA, artigos com declarações explícitas sobre materiais reciclados apresentam uma valorização média de 33,4% face a produtos sem essa informação.
“A competitividade futura da indústria portuguesa dependerá da sua capacidade de provar, com rigor, que produz de forma sustentável”, evidencia João Duarte, professor e autor do estudo, sublinhando que “a certificação é o elemento diferenciador que permite captar valor, ganhar novos mercados e contribuir para o crescimento do país”.
O estudo foi apoiado pela REGA ENERGY, empresa de energias renováveis que está a investir em Portugal. Para o CEO Thomas Carrier, o país reúne “vantagens competitivas claras”. O responsável reconhece uma base industrial consolidada, forte dimensão de energia renovável, talento e cultura internacional para “transformar a transição climática numa fonte de competitividade que torne o Made in Portugal em sinónimo de Made Sustainable”.
Na apresentação pública do estudo, que decorreu na NOVA SBE, nesta terça-feira, a diretora adjunta da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Renata Gomes, destacou o valor estratégico da sustentabilidade num momento decisivo para a competitividade nacional. Pedro Siza Vieira, ex-ministro da Economia, partilhou a experiência com a promoção da marca Portugal no estrangeiro numa perspetiva europeia.
O painel organizado para o mesmo evento concluiu pela necessidade de criar mecanismos de certificação credíveis, acompanhados por uma estratégia coordenada de afirmação de Portugal como país produtor de bens sustentáveis e confiáveis.
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