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Pressão financeira adia obras e eficiência energética nas casas dos portugueses
Estudo do Observador Cetelem revela que, apesar de 93% reconhecerem o impacto da eficiência no valor do imóvel, 71% das famílias desistem de remodelações por falta de capacidade financeira.
24 Fev 2026 - 15:25
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A pressão financeira está a adiar decisões estruturais nas casas dos portugueses, sobretudo na área da eficiência energética. A conclusão é do mais recente estudo do Observador Cetelem, divulgado nesta terça-feira, que aponta para uma contradição: existe consciência dos benefícios das obras de melhoria e da transição energética, mas falta margem orçamental para avançar.
“Os resultados deste estudo mostram que a casa continua a ser o porto de abrigo dos portugueses, mas é um abrigo sob pressão”, denota o diretor de Marketing, B2B & B2C do Cetelem. Hugo Lousada reconhece que “existe uma consciência clara de que a eficiência energética valoriza o património, traz mais conforto e reduz custos, mas a disponibilidade financeira condiciona a realização de projetos de remodelação”.
Segundo o inquérito da marca comercial do BNP Paribas Personal Finance em Portugal, 94% dos portugueses dizem estar satisfeitos com o seu lar. No entanto, essa satisfação é maioritariamente moderada (56%), sendo que apenas 38% se declaram totalmente satisfeitos. O grau de satisfação diminui quando o foco incide sobre aspetos concretos da habitação – só 33% estão plenamente satisfeitos com os custos de manutenção e 28% com o estado de conservação do imóvel.
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As fragilidades são evidentes no conforto térmico e no isolamento. Três em cada dez inquiridos avaliam negativamente o conforto da sua casa no inverno e 22% mostram-se insatisfeitos com o isolamento. Ainda assim, 90% afirmam sentir uma forte ligação emocional à habitação.
Energia no centro das preocupações
A fatura energética surge como o principal fator de inquietação. O estudo indica que 69% dos portugueses receiam o aumento do preço da eletricidade e 54% temem não conseguir pagar as contas no futuro.
Apesar disso, os benefícios da eficiência energética são reconhecidos. Quase todos os inquiridos (93%) admitem que o desempenho energético influencia o valor de mercado do imóvel. Entre os que já realizaram obras com foco na eficiência, 69% confirmam uma redução imediata e efetiva nas faturas de energia.
O principal obstáculo é financeiro. Entre as famílias que ponderaram fazer obras, mas acabaram por desistir, 71% apontam a falta de disponibilidade económica como razão determinante. A transição energética, defendida a nível europeu como prioridade estratégica, esbarra assim na capacidade de investimento das famílias.
Conforto pesa mais do que ambiente
O estudo evidencia que a motivação ambiental tem pouco peso nas decisões de renovação. Apenas 7% dos inquiridos se referem à sustentabilidade como principal motor para intervir na habitação. O conforto surge destacado, com 42% a apontarem-no como razão prioritária para investir na casa.
O planeamento é prudente. Só 14% garantem que vão realizar obras este ano, enquanto 41% admitem essa possibilidade. No financiamento, predominam os capitais próprios, com 48% a recorrem a poupanças e 29% a pagarem a pronto. O recurso a crédito para obras é referido por 27% dos inquiridos, enquanto 17% esperam apoio através de ajudas públicas.
O estudo antecipa, contudo, uma possível mudança geracional. Entre os jovens até aos 35 anos, 46% encaram o crédito como uma ferramenta natural e ágil de valorização do património.
Para Hugo Lousada “o desafio passa por tornar acessíveis soluções que facilitem a concretização destes projetos e a transição energética, garantindo que o conforto e a sustentabilidade não sejam adiados por limitações orçamentais”.
O inquérito foi realizado pela Harris Interactive entre 19 e 28 de maio de 2025, na Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Itália, Polónia, Portugal e Reino Unido. Foram entrevistadas 12.574 pessoas, entre os 18 e os 75 anos, através de painel online, com amostras representativas a nível nacional asseguradas por método de quotas (género, idade, região e rendimento/classe social).
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