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Procura mundial de carvão deverá aumentar 1,2% em 2026 devido ao conflito no Médio Oriente
A procura poderá alcançar um recorde de 8,94 mil milhões de toneladas. No entanto, espera-se que a evolução da procura volte a mudar em 2027. Segundo a AIE, as perspectivas dependem da recuperação do tráfego em Ormuz.
10 Set 2026 - 11:46
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Foto: AIE
- Procura mundial de carvão deverá aumentar 1,2% em 2026 devido ao conflito no Médio Oriente
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Foto: AIE
A procura mundial de carvão deverá aumentar 1,2% este ano, para um recorde de 8,94 mil milhões de toneladas, impulsionada sobretudo pela subida dos preços do gás natural, provocada pelas perturbações no mercado energético associadas ao conflito no Médio Oriente, segundo um relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia (AIE), nesta quinta-feira.
Embora praticamente não existam carregamentos de carvão a passar pelo estreito de Ormuz atualmente, o conflito tem afetado os mercados de carvão através do aumento dos preços do gás natural, devido à forte rutura nos carregamentos de gás natural liquefeito (GNL).
Assim, a subida dos preços do gás está a levar alguns países a aumentar a produção de eletricidade a partir do carvão, sobretudo em zonas onde existem centrais a gás e capacidade de produção a carvão disponível. Segundo a AIE, esta dinâmica contribuiu para um consumo de carvão superior ao anteriormente previsto na Europa, no Japão, na Coreia do Sul, na China e noutros mercados.
Na China, o consumo de carvão também aumentou na produção de produtos químicos, devido aos preços elevados do petróleo. Já na Índia e no Vietname, a previsão de um fenómeno El Niño particularmente forte este ano deverá contribuir para aumentar a procura de carvão, devido às maiores necessidades de arrefecimento e à menor produção hidroelétrica.
No entanto, espera-se que a evolução da procura volte a mudar em 2027. Segundo a AIE, as perspectivas “dependem em grande medida” da recuperação do tráfego marítimo através do estreito de Ormuz.
“Se os fluxos de GNL através do estreito recuperarem e os preços do gás natural descerem novamente para níveis próximos dos registados antes da guerra, a procura mundial de carvão poderá diminuir em 2027”, refere a AIE, em comunicado.
Apesar do aumento esperado do consumo, a produção mundial de carvão deverá diminuir em 2026, depois de ter atingido um máximo histórico no ano passado. Ainda assim, deverá permanecer acima das nove mil milhões de toneladas pelo terceiro ano consecutivo.
A diminuição resulta, sobretudo, da redução da produção na China, o maior produtor mundial de carvão. A realização de inspeções de segurança após um acidente grave numa mina, em maio, provocou uma redução significativa da produção desde então.
Com a aproximação entre os níveis de produção e de consumo, a acumulação mundial de reservas de carvão registada nos últimos anos deverá também diminuir. Para 2027, a AIE prevê uma ligeira recuperação da produção mundial, impulsionada pelo aumento da produção chinesa.
A procura de carvão nos mercados internacionais deverá também ficar acima das previsões anteriores, devido à menor produção interna chinesa e ao aumento da procura por parte de países dependentes das importações, como o Japão e a Coreia do Sul.
Nestes países, o consumo de carvão aumentou na sequência da subida dos preços do gás natural. Em conjunto com uma oferta limitada, estes fatores estão a contribuir para uma subida dos preços do carvão a nível mundial.
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