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Produção de combustível sustentável para aviação desacelera e acende alertas na IATA
Associação critica políticas europeias e alerta para riscos nas futuras metas obrigatórias de e-SAF.
10 Dez 2025 - 09:04
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A produção mundial de combustível sustentável para aviação (SAF, na sigla inglesa) está a crescer abaixo do esperado e deverá perder ritmo já em 2026, segundo novas estimativas divulgadas pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
A organização alerta que políticas mal desenhadas, sobretudo na União Europeia e no Reino Unido, estão a travar o desenvolvimento do setor e a encarecer os custos para as companhias aéreas.
Em 2025, a produção de SAF deverá atingir 1,9 milhões de toneladas, o dobro do volume registado em 2024. Contudo, em 2026, o crescimento abranda para 2,4 milhões de toneladas. Apesar do aumento, o SAF representará apenas 0,6% do consumo total de combustível de aviação em 2025, subindo para 0,8% no ano seguinte. Aos preços atuais, o diferencial de custo deverá acrescentar 3,6 mil milhões de dólares à fatura energética das companhias em 2025.
A IATA reviu em baixa as suas previsões devido à falta de apoio político eficaz para aproveitar a capacidade instalada. O preço do SAF continua, em média, duas vezes superior ao do combustível fóssil, podendo atingir até cinco vezes mais nos mercados onde existem obrigações legais.
“Se o objetivo dos mandatos de SAF era abrandar o progresso e aumentar os preços, os decisores políticos conseguiram-na plenamente. Mas, se a meta é aumentar a produção de SAF para avançar na descarbonização da aviação, então precisam de aprender com este falhanço e trabalhar com a indústria aérea para criar incentivos que realmente funcionem”, afirma Willie Walsh, diretor-geral da IATA, em comunicado.
A associação critica em particular os regimes da União Europeia e do Reino Unido. No espaço europeu, o regulamento ReFuelEU Aviation terá provocado fortes aumentos de custos num mercado com oferta limitada e cadeias de abastecimento concentradas, levando as companhias aéreas a pagar até cinco vezes o preço do combustível convencional, sem garantias de fornecimento, refere a IATA. No Reino Unido, o mandato nacional também terá originado picos de preços, absorvidos pelas companhias.
No conjunto, as companhias aéreas pagaram em 2025 um prémio estimado de 2,5 mil milhões de euros pelos cerca de 1,9 milhões de toneladas de SAF disponíveis, dos quais 1,2 mil milhões de euros correspondem ao diferencial normal face ao combustível tradicional.
A falta de expansão da capacidade de produção poderá ainda obrigar várias companhias a rever compromissos assumidos. “Muitas das que se comprometeram a usar 10% de SAF até 2030 terão de reavaliar esses objetivos, porque simplesmente não existe oferta suficiente”, alertou Walsh.
Com a aproximação das metas obrigatórias de e-SAF (combustível produzido a partir de eletricidade renovável, água e CO₂, sem recorrer a óleos vegetais ou resíduos orgânicos como no SAF tradicional), previstas para 2028 no Reino Unido e 2030 na União Europeia, a IATA receia a repetição dos mesmos erros.
O e-SAF pode custar até 12 vezes mais do que o combustível convencional e, sem incentivos eficazes à produção, os objetivos poderão falhar, fazendo disparar os custos de cumprimento para cerca de 29 mil milhões de euros até 2032.
“Os baixos volumes de produção mostram que as políticas atuais não estão a funcionar. É essencial corrigir o rumo e não repetir os mesmos erros com o e-SAF”, afirmou Marie Owens Thomsen, vice-presidente sénior da IATA para a Sustentabilidade.
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