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Quercus exige mais clareza na transição da gestão do Centro de Reprodução do Lince Ibérico para o ICNF

A Quercus mostra a sua surpresa relativamente à nova gestão do CNRLI. A organização não governamental exige clarificações por parte do ICNF e pede ao ex-ministro do ambiente, Jorge Moreira da Silva, que se pronuncie publicamente sobre o assunto.

20 Mai 2026 - 12:29

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Foto: ICNF

Foto: ICNF

A Quercus exige esclarecimentos acerca da mudança repentina na gestão do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CNRLI), que passará a ser assumida diretamente pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), já a partir de dia 1 de junho.

A organização não governamental de ambiente mostra, num comunicado enviado à imprensa, a sua surpresa e indignação perante a decisão de afastar repentinamente o atual coordenador, Rodrigo Serra, e toda a equipa de técnicos especializados “que, há 16 anos, contribuem para o sucesso do CNRLI, cuja capacidade técnica, científica e operacional tem contribuído de forma irrepreensível para a recuperação da população de lince-ibérico em Portugal”, sublinha a Quercus. Sublinham ainda que esta espécie chegou a estar à beira da extinção, existindo atualmente cerca de 2400 linces na Península Ibérica.

É de relembrar que a decisão de internalizar a gestão do centro, que foi gerido desde a sua criação por uma entidade privada, foi descrita por Rodrigo Serra como pouco transparente e sem tempo suficiente para um processo de transição, que é essencial para a transmissão de conhecimento.

Na altura, em esclarecimentos à agência Lusa, o ICNF disse que mantinha o empenho e compromisso na recuperação da população de lince-ibérico, em conjunto com as autoridades espanholas e demais entidades parceiras, e esclareceu que gere o CNRLI desde o início, mas que até ao momento optou pela contratação externa de técnicos especializados.

Neste sentido, a Quercus pede “mais clareza nos esclarecimentos prestados pela tutela e apela à apresentação de um plano de transição transparente e tecnicamente fundamentado sobre esta mudança na equipa do CNRLI, idealmente incluindo integração dos atuais profissionais na estrutura do ICNF, para que possam dar continuidade às suas funções”.

Perante as reações de surpresa da parte de especialistas e parceiros internacionais, a Quercus pede que Jorge Moreira da Silva se pronuncie publicamente sobre o assunto, já que o ex-ministro é considerado como o “pai da reintrodução do lince-ibérico em Portugal”, que tutelava o Ministério do Ambiente em 2014, ano em que arrancou a medida de conservação.

A Quercus exige também que seja divulgado o enquadramento técnico, administrativo e orçamental que conduziu à decisão de internalizar a gestão do CNRLI no ICNF e que seja esclarecido, com a máxima brevidade, se a atual equipa continuará a integrar o CNRLI e, caso seja substituída, qual a experiência e formação dos novos elementos.

Além disso, pedem que sejam explicadas as medidas previstas para assegurar uma transição técnica, legal e operacionalmente segura e pedem para que os parceiros do Programa Ibérico de Conservação Ex-Situ do lince-ibérico sejam auscultados relativamente a este processo de transição.

Segundo a ONGA, o Grupo de Especialistas de Felinos da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), da qual a Quercus é membro, também alertou para os riscos desta transição e sublinhou a “importância da continuidade técnica”.

A associação com mais de 40 anos de trabalho lembra ainda que “a conservação da natureza deve assentar numa relação de cooperação entre entidades públicas, organizações não governamentais, centros de recuperação, investigadores e sociedade civil.”

 

 

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