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Receitas das concessões hidroelétricas vão financiar recuperação ambiental da Serra da Estrela

Segundo o Governo, o objetivo é assegurar que a exploração dos recursos hídricos para produção de energia renovável contribui também para a conservação da natureza.

30 Out 2026 - 15:22

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Foto Shutterstock

Mountain valley with a winding road and a small reservoir dam in the foreground under a clear blue sky

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Parte das receitas das futuras concessões hidroelétricas da Serra da Estrela vão ser utilizadas para financiar projetos de restauro ecológico, recuperação dos recursos hídricos e valorização ambiental do Parque Natural da Serra da Estrela, através de um novo mecanismo anunciado pelo Governo nesta sexta-feira.

A medida consta de um despacho da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que determina à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a preparação de um modelo de afetação de parte das rendas e contrapartidas financeiras das futuras concessões hidroelétricas à recuperação ambiental daquele território.

Segundo o Governo, o objetivo é assegurar que a exploração dos recursos hídricos para produção de energia renovável contribui também para a conservação da natureza, a recuperação da paisagem, a redução do risco de incêndio e a adaptação às alterações climáticas.

“Queremos que a riqueza gerada pelos recursos naturais da Serra da Estrela contribua diretamente para a recuperação e valorização deste território. A produção de energia renovável deve também beneficiar as comunidades e os ecossistemas que acolhem estas infraestruturas. Estamos a preparar um modelo que permitirá transformar parte das receitas das concessões hidroelétricas em investimento na conservação da natureza, na proteção dos recursos hídricos e na resiliência da Serra da Estrela”, afirma a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

O Parque Natural da Serra da Estrela abrange cerca de 89 mil hectares e integra ecossistemas de montanha, bem como as cabeceiras de rios portugueses como o Mondego, o Zêzere e o Alva. Segundo um levantamento da APA, existem 22 aproveitamentos hidráulicos na área do Parque Natural, dos quais 14 têm concessões que terminam a 9 de outubro de 2028.

O Governo pretende aproveitar o fim destes contratos para preparar um novo procedimento concursal, preferencialmente de forma agregada, cujo lançamento está previsto para 2027.

O novo modelo deverá definir a percentagem das rendas ou contrapartidas financeiras a afetar ao financiamento de projetos ambientais, garantindo que uma parte das receitas da exploração dos recursos naturais reverta para a recuperação e valorização do território.

O despacho estabelece que a APA dispõe de 90 dias após a publicação para apresentar uma proposta de cláusulas ambientais e financeiras a integrar nos futuros contratos de concessão. Entre os elementos a definir está a percentagem das receitas a canalizar para o restauro ecológico.

As verbas arrecadadas serão transferidas para o Fundo Ambiental e destinadas ao financiamento de projetos de reabilitação e requalificação dos recursos hídricos, recuperação de ecossistemas, conservação da natureza e adaptação e mitigação das alterações climáticas.

A proposta será desenvolvida em articulação com a Associação de Municípios do Parque Natural da Serra da Estrela (AMPNSE), o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Comissão de Cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela, a Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela e a Agência para o Clima.

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