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Riscos ambientais lideram top 10 dos riscos globais a longo prazo

Líderes questionados pelo Fórum Económico Mundial colocam, a curto prazo, o confronto geoeconómico, a desinformação e a polarização social como os três principais riscos mundiais. Encontro anual em Davos arranca nesta segunda-feira.

18 Jan 2026 - 15:03

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Foto: Unsplash

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Eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e colapso dos ecossistemas, e mudanças críticas nos sistemas terrestres são os principais riscos que assolam o mundo nos próximos 10 anos, segundo o Relatório de Riscos Globais 2026, publicado pelo Fórum Económico Mundial (FEM).

A análise, baseada numa pesquisa anual com mais de 1.300 líderes globais e consultas com especialistas em riscos, antecede a reunião global de líderes que acontece anualmente em Davos, na Suíça, e que este ano decorre entre 19 a 23 de janeiro.

Mas os riscos ambientais não se ficam por estes três. No top 10, ocupam cinco posições: com a escassez de recursos naturais a ocupa o sexto lugar e a poluição o décimo.

Porém, numa visão a curto prazo são outras as preocupações dos líderes mundiais. O principal risco global em 2026 em 2027 é a confrontação geoeconómica, seguida pela desinformação (2º) e pela polarização social (3º). Nesta visão a dois anos, os eventos climáticos extremos surgem em quarto lugar como risco global.

“Os riscos ambientais têm estado entre os mais bem classificados nos últimos anos. No entanto, este ano estão a ser reavaliados no curto prazo, face a ameaças não ambientais consideradas mais urgentes. Embora os fenómenos meteorológicos extremos e a poluição continuem a figurar no top 10, com ligeiras descidas na perspetiva para os próximos dois anos, as alterações críticas aos sistemas da Terra e a perda de biodiversidade registaram uma queda acentuada para a metade inferior da classificação, em comparação com o relatório do ano passado”, refere o FEM em comunicado.

Embora o ritmo dos riscos globais continue a acelerar em velocidade, escala e alcance, o relatório observa que “o futuro não é um caminho único e fixo, mas uma série de decisões que tomamos hoje como comunidade global”. A pesquisa descreve um cenário multipolar emergente, marcado pelo confronto em vez da cooperação e da confiança.

Incerteza impera no mundo

A incerteza vai continuar a ser o tema dominante no futuro próximo. Metade dos inquiridos espera que o mundo continue “turbulento” ou “tempestuoso” nos próximos dois anos. No entanto, quando consideramos uma perspetiva de risco a 10 anos, esta percentagem aumenta para 57%, com quase um quinto a antecipar riscos “catastróficos globais” no horizonte.

Com o sistema global multilateral há muito estabelecido sob pressão, o confronto geoeconómico é agora a principal preocupação dos líderes e especialistas em risco em 2026. Isso envolve desafios ao comércio, investimento, cadeias de abastecimento e acesso a recursos naturais. E empurrou o ‘conflito armado entre Estados’, o principal risco no ano passado, para o segundo lugar.

Com a introdução das tarifas na arena mundial, existe o risco de o confronto geoeconómico se transformar numa guerra económica em grande escala, com bloqueios portuários, restrições à exportação de bens essenciais, contratos cancelados e controlos de capital, para citar apenas alguns exemplos, refere o FEM.

Em termos práticos, o risco que os inquiridos consideram que, em 2026, poderá escalar a nível global é a confrontação geoeconómica (18%), seguido do conflito armado entre Estados (14%) e, em terceiro, eventos climáticos extemos (8%). Este top 5 é fechado com a polarização social (7%) e a desinformação (7%).

Em comparação com o ano passado, os riscos económicos são os que registam os maiores aumentos na classificação para os próximos dois anos. A par da confrontação geoeconómica, os riscos de uma recessão económica e da inflação foram os que mais aumentaram em termos de gravidade, subindo oito posições.

Outro risco em rápida ascensão foi o do rebentamento de bolhas de ativos, que subiu sete lugares. Isto evidencia a combinação volátil que pode resultar da interação entre o aumento da dívida, uma recessão económica e retornos incertos dos investimentos em tecnologias de ponta (IA, quântica). Se a confrontação geoeconómica for acrescentada a este cenário, o impacto poderá desestabilizar não só as empresas, mas sociedades inteiras, alerta o relatório.

Ordem global encontra-se num ponto de inflexão

A rápida evolução da inteligência artificial (IA) e da computação quântica impulsiona o crescimento, mas também aumenta os riscos, desde impactos profundos no mercado de trabalho e na estabilidade social até ameaças à integridade da informação e riscos militares associados à automação, sublinham o relatório. A desinformação e a insegurança cibernética mantêm-se entre os principais riscos a curto prazo, enquanto os efeitos adversos da IA ganham peso significativo no horizonte de 10 anos. A mitigação exigirá sensibilização, educação, requalificação e salvaguardas eficazes, observam os analistas.

A polarização social continua a ser um dos riscos globais mais persistentes, fortemente ligada à desigualdade, ao declínio do bem-estar e à recessão económica. Interligada com a desinformação e a confrontação geoeconómica, poderá agravar-se nos próximos anos.

Assim, num contexto de crescente protecionismo e controlo estatal das cadeias de abastecimento, a ordem global atravessa um ponto de inflexão. A maioria dos inquiridos antecipa, por isso, um mundo mais fragmentado e multipolar. Apenas 6% esperam que a ordem internacional do pós-guerra e as suas instituições multilaterais sejam revitalizadas, numa altura em que os interesses nacionais se sobrepõem à ação coletiva.

“Com a incerteza destinada a manter-se como a única constante, torna-se ainda mais evidente a necessidade contínua de cooperação ao longo de novas linhas de fratura. Um diálogo eficaz — tema central da próxima Reunião Anual do Fórum Económico Mundial, em Davos — será fundamental para moldar em conjunto o caminho a seguir”, refere o FEM.

 

 

 

 

 

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