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Segurança energética torna-se o principal motor de inovação enquanto investimento privado cai

Relatório da AIE identifica mais de 150 avanços tecnológicos em 2025 e alerta para queda no financiamento privado, com baterias a dominar a corrida das patentes.

17 Fev 2026 - 16:33

4 min leitura

Foto: Adobe stock/Pugun & Photo Studio

Foto: Adobe stock/Pugun & Photo Studio

Pela primeira vez, a segurança energética ultrapassou a redução de emissões e a acessibilidade de preços como principal motivo para investir em novas tecnologias. É uma das conclusões centrais do relatório “O Estado da Inovação Energética 2026”, publicado nesta terça-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE).

O documento, cujo propósito é fazer o retrato anual do estado global da inovação energética, cataloga mais de 150 avanços significativos durante o ano de 2025. Entre eles contam-se progressos em ar condicionado de estado sólido, células solares de perovskita, energia de fusão, baterias de sódio-ião e sistemas geotérmicos de nova geração. Estes avanços traduziram-se em 50 melhorias nos níveis de maturidade tecnológica das tecnologias emergentes acompanhadas pela AIE.

Baterias dominam a patenteabilidade global

O relatório confirma a centralidade do setor energético na corrida tecnológica mundial: cerca de uma em cada dez patentes registadas globalmente está relacionada com energia, uma proporção que supera a da indústria química, farmacêutica ou dos transportes.

As baterias destacam-se de forma singular. Em 2023, representaram 40% de todas as patentes energéticas, a maior fatia alguma vez registada para uma única área tecnológica, com indicações de que essa proporção aumentou ainda mais em 2024 e 2025. China, Coreia do Sul e Japão lideram o registo de patentes em baterias de lítio, com Pequim a reforçar expressivamente a sua posição na última década.

Na energia solar, o foco da inovação deslocou-se para as células de perovskita, que hoje representam mais de 70% das patentes de células solares por material.

Queda no investimento privado preocupa

Apesar do dinamismo tecnológico, o relatório lança um aviso sobre o financiamento. A despesa pública global em investigação e desenvolvimento energético foi estimada em 55 mil milhões de dólares em 2025, uma descida de 2% face ao ano anterior. O investimento empresarial cresceu apenas 1% em 2024, o ritmo mais lento desde 2015, excluindo 2020, o ano da pandemia. O capital de risco (“venture capital”, em inglês) em stratups de tecnologia energética caiu pelo terceiro ano consecutivo, para 27 mil milhões de dólares.

A concorrência da inteligência artificial (IA) pesa nesta equação. Em 2025, a IA captou quase 30% de todo o capital de risco mundial, enquanto a energia perdeu terreno. As taxas de juro elevadas e a incerteza macroeconómica agravam o quadro, conforme observa o relatório.

Ainda assim, surgem novos focos de crescimento. O financiamento para fusão nuclear, fissão de nova geração, minerais críticos, energia geotérmica, remoção de CO2 e indústrias de baixas emissões expandiu-se de forma acentuada desde 2021, compensando em parte a retração no investimento em mobilidade elétrica.

Europa aproxima-se de recordes históricos

A nível regional, a Europa destaca-se positivamente. Com uma intensidade de I&D (Investigação e Desenvolvimento) público energético a rondar 0,08% do PIB, o continente aproxima-se dos máximos históricos registados nos anos 1980 e já supera outras grandes economias avançadas. O seu ecossistema de startups tornou-se “mais dinâmico”, evidencia a AIE, ainda que o registo de patentes tenha abrandado nalguns países.

Os Estados Unidos mantêm a liderança no capital de risco, representando quase metade de todo o investimento deste tipo no setor energético em 2025. O Japão preserva a sua especialização em baterias e avança em células solares de perovskita, combustíveis à base de hidrogénio e fusão.

A nova iniciativa norte-americana “Genesis Mission” e o Fundo de Competitividade da União Europeia são exemplos citados no relatório como reflexo da crescente aposta dos governos em reforçar capacidades tecnológicas domésticas e proteger cadeias de abastecimento críticas.

O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, sublinha que “a inovação energética tornou-se uma prioridade estratégica para os governos de todo o mundo” acrescentando que os países que mantiverem o investimento em investigação, demonstração e implementação precoce “estarão melhor posicionados para liderar a próxima geração de tecnologias energéticas”.

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