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Sines tem 76,3% do território integrado na Reserva Ecológica Nacional
Concelho tem a maior percentagem de área abrangida pela REN no Alentejo Litoral, mas é também um dos principais polos de investimento nacional. Entretanto, as CCDR passaram a ter mais poderes de decisão sobre “ações de interesse público” nestas áreas.
24 Jul 2026 - 06:26
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Foto: Wikimedia/Inês Leonardo
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Foto: Wikimedia/Inês Leonardo
Sines é o concelho do Alentejo Litoral com maior percentagem de território classificado como Reserva Ecológica Nacional (REN). Mais especificamente, tem 76,3% da área abrangida por esta restrição de utilidade pública, de acordo com a informação disponibilizada publicamente pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Alentejo.
Dos 20.330,17 hectares que compõem o concelho, 15.514,54 hectares integram a REN, “uma estrutura biofísica que integra o conjunto das áreas que pela sua sensibilidade, função e valor ecológicos ou pela exposição e suscetibilidade perante riscos naturais, são objeto de proteção especial”, como clarifica a própria CCDR Alentejo.
Entre os restantes concelhos da faixa litoral alentejana, Odemira apresenta a segunda maior percentagem de território integrado na reserva ecológica, com 61,3% (105.493,74 hectares), seguindo-se Santiago do Cacém, com 37,4% (39.663,37 hectares), e Grândola, com 28,4% (23.446,86 hectares).
Alcácer do Sal apresenta a menor proporção entre estes municípios do Alentejo Litoral, com 16,4% do território abrangido pela REN, correspondente a 24.559,81 hectares.
A CCDR Alentejo sublinha que a REN assume “grande importância” para a região, onde todos os concelhos têm as suas delimitações publicadas, representando aproximadamente 45% do território regional.
No caso de Sines, a dimensão da área abrangida pela REN cruza-se com o papel estratégico que o concelho tem vindo a assumir na economia nacional. O território concentra alguns dos maiores projetos de investimento do país, desde o complexo portuário e industrial aos projetos ligados à transição energética, como o hidrogénio verde e combustíveis sustentáveis, além de novos investimentos industriais e logísticos, que têm vindo a ser apresentados.
CCDR reforça papel na gestão da REN
A dimensão da Reserva Ecológica Nacional neste concelho em particular ganha também um novo enquadramento com o recente reforço do papel das CCDR. Recorde-se que o Governo alterou recentemente o Regime Jurídico da Reserva Ecológica Nacional, permitindo que os conselhos diretivos das CCDR territorialmente competentes possam decidir sobre a realização de “ações de relevante interesse público” em áreas integradas nesta reserva, quando essa competência lhes seja delegada.
A medida pretende contribuir para a “consolidação do processo de desconcentração administrativa”, reforçando o papel das CCDR enquanto estruturas intermédias de coordenação territorial. Na prática, a alteração veio aumentar a capacidade de intervenção destas entidades regionais na apreciação de projetos que envolvam áreas classificadas como REN.
No caso de Sines, esta alteração assume particular relevância, uma vez que coloca no poder regional a necessidade de articulação de dois grandes desafios: a proteção de um território com elevada percentagem de reserva ecológica e a necessidade de avaliar projetos estratégicos num dos concelhos com maior potencial de desenvolvimento económico do país.
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