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Sistema “Volta” atinge 100 milhões de embalagens devolvidas em três meses
Perante os desafios de higiene e poluição urbana apontados nos últimos dias, a SDR reconhece a necessidade de “respostas eficazes". A taxa de recolha estimada até julho ronda os 38%, demonstrando uma adesão “rápida e crescente" dos portugueses.
22 Jul 2026 - 10:01
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Foto: SDR Portugal
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Foto: SDR Portugal
O sistema “Volta” atingiu os 100 milhões de garrafas e latas de uso único devolvidas, três meses após a entrada em funcionamento do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR).
Segundo a SDR Portugal, associação sem fins lucrativos responsável pela implementação e gestão do SDR, a taxa de recolha estimada até julho ronda já os 38%, demonstrando uma adesão “rápida e crescente” dos portugueses.
Perante os desafios de higiene e poluição urbana apontados nos últimos dias, a SDR reconhece a necessidade de “respostas eficazes” e reitera a sua disponibilidade para continuar a trabalhar com municípios, autoridades e operadores económicos, no reforço da rede e na adaptação das soluções de recolha, ainda que esta matéria se inscreva no quadro das competências próprias das autarquias.
“Problemas pontuais devem ser resolvidos com rapidez, mas não podem sustentar conclusões definitivas sobre uma política pública que acabou de arrancar e que esta semana atingiu a marca das 100 milhões de embalagens devolvidas”, afirma a SDR, em comunicado.
O Sistema de Recolha relembra ainda que o “Volta” está a contribuir para acelerar o cumprimento de metas ambientais cujo incumprimento levou nos últimos três anos ao pagamento de multas que ascenderam aos 600 milhões de euros e que foram suportadas pelo Orçamento de Estado.
Além disso, o SDR explica que perturbações pontuais na higiene urbana também foram registadas no arranque dos sistemas de vários países europeus, mas que diminuíram “à medida que a infraestrutura se expandiu e os cidadãos integraram a devolução das embalagens nos seus hábitos quotidianos”.
Na Irlanda, onde o sistema começou em fevereiro de 2024, a recolha ultrapassa já os 90% e o lixo urbano caiu 50% de acordo com um estudo promovido por uma associação empresarial daquele país.
Portugal foi o 19.º país da União Europeia a adotar este sistema. Atualmente, a rede nacional conta com mais de 2.500 pontos “Volta” automáticos em supermercados e hipermercados, incluindo 521 na Grande Lisboa e 322 no Grande Porto. A estes, juntam-se pontos de recolha manual e uma rede de 50 Quiosques volta, em 38 municípios, cuja instalação está a decorrer de forma faseada.
Segundo a SDR, “o reforço da rede é indispensável num país onde cerca de 54% dos resíduos urbanos ainda acabam em aterro, muitos dos quais sob pressão por estarem próximos da sua capacidade máxima”.
Até 2029, Portugal está obrigado a alcançar uma taxa de recolha seletiva de 90% destas embalagens.
A associação aproveita ainda para sublinhar que “ao contrário do que por vezes é sugerido, a volta não utiliza dinheiros públicos”. O sistema é gerido pela SDR Portugal, associação sem fins lucrativos licenciada e fiscalizada pelo Estado.
O investimento de cerca de 150 milhões de euros na sua criação, que incluiu a alteração do design de 2 mil milhões de embalagens de bebidas, inúmeras horas de formação a milhares de colaboradores dos supers e hipermercados, foi feito pelos produtores/embaladores e embaladores/distribuidores.
O financiamento é assegurado pelas entidades privadas, nomeadamente pelos produtores/embaladores e distribuidores, pelas receitas dos materiais recolhidos e pelos depósitos não reclamados.
“Os depósitos não reclamados não constituem lucro para a SDR Portugal nem receita para o Estado. São reinvestidos na operação e melhoria do sistema desde que sejam cumpridas as metas de recolha. Se essas metas não forem alcançadas, revertem, em partes iguais, para o Fundo Ambiental e para o Fundo para a Promoção dos Direitos dos Consumidores”, explica a SDR Portugal.
O SDR permite recolher separadamente garrafas e latas de bebidas de uso único inferiores a 3L, evitando a sua contaminação por outros resíduos e preservando a qualidade necessária para que “uma garrafa volte a ser uma garrafa e uma lata volte a ser uma lata.”
“Os constrangimentos de uma mudança desta escala não devem ser ignorados. Mas também não podem apagar o essencial: em pouco mais de três meses, os portugueses devolveram 100 milhões de embalagens. A “Volta” está a funcionar, os hábitos estão a mudar e Portugal está a recuperar recursos que antes acabavam demasiadas vezes no lixo, nas ruas, no mar ou em aterro”, conclui a associação.
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