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Taxa de aumento do nível dos oceanos subiu 50% em quatro anos
Novo relatório WOA-3 aponta forte expansão dos impactos da poluição plástica sobre a biodiversidade marinha, com mais de 4 mil espécies afetadas. A cientista portuguesa Maria João Bebbiano alerta para os riscos associados aos “poluentes emergentes”.
08 Jun 2026 - 12:26
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A taxa de aumento do nível das águas dos oceanos aumentou mais de 50% nos últimos quatro anos, mostra o novo relatório da ONU, publicado nesta segunda-feira, para comemorar o Dia Mundial dos Oceanos. A “Terceira Avaliação Global dos Oceanos” (WOA-3), contou com o contributo da investigadora portuguesa Maria João Bebbiano.
“A Terceira Avaliação Mundial dos Oceanos, lançada hoje, documenta uma crise profunda resultante das alterações climáticas, da pesca excessiva, da perda de biodiversidade e da poluição marinha”, afirma António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, numa mensagem em vídeo alusiva ao Dia Mundial dos Oceanos.
Segundo o WOA-3, a taxa de aumento do nível dos oceanos aumentou mais de 50% desde o último relatório da ONU, publicado há quatro anos. Em 2022 a taxa de crescimento do nível da água rondava os 3,2 milímetros por ano. Atualmente, está confirmado um aumento de cerca de 4,3 milímetros por ano, o que significa que as cidades costeiras sofrem ameaças cada vez mais graves, de acordo com as declarações à ONU do investigador brasileiro Ronaldo Christofoletti.
A investigadora portuguesa Maria João Bebbiano, coordenadora adjunta do Comité Nacional para a Década do Oceano (CNDO), está entre os 25 autores do WOA-3. De acordo com a ONU, a cientista alerta para os riscos associados aos “poluentes emergentes”, que vão muito além do lixo plástico visível.
“Estamos a assistir a um aumento da concentração de antibióticos no oceano. Isto faz com que surjam espécies de bactérias e genes resistentes no mar, gerando uma situação muito semelhante à que enfrentamos hoje com as superinfecções nos hospitais”, explica Maria João Bebbiano, segundo a ONU. “É alarmante. Precisamos de recuperar a saúde do oceano para, assim, recuperarmos a saúde humana”, acrescenta a investigadora.
Além disso, o WOA-3 aponta forte expansão dos impactos da poluição plástica sobre a biodiversidade marinha. Enquanto o relatório anterior registrava cerca de 1,4 mil espécies afetadas por plástico, os novos dados apontam 4.076 espécies impactadas.
A especialista portuguesa ressalta que o estudo documenta fenômenos físicos invisíveis aos olhos do cidadão comum, mas arrasadores para o ecossistema, como tal como a acidificação e o aquecimento do mar, elevando o nível das águas através da expansão térmica.
Para Guterres, “em tempos turbulentos, o oceano relembra à humanidade que está conectada”, afirma. Os oceanos “moldam o clima, sustentam ecossistemas e economias e alimentam milhares de milhões de pessoas”, acrescenta o secretário-geral.
De acordo com a ONU, o WOA-3 é considerado “o relatório mais completo já realizado” e engloba dados sobre saúde humana, áreas protegidas, produção de alimentos, turismo, exploração tecnológica, governança, entre outros.
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