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Europa precisa de investir 10 vezes mais em prospeção de matérias-primas críticas para reforçar abastecimento
Banco Europeu de Investimento aponta que a Europa tem um “potencial mineral significativo” por explorar, para reforçar o seu próprio abastecimento de minerais críticos.
23 Jul 2026 - 17:00
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Para desbloquear o seu próprio potencial de abastecimento de matérias primas críticas, a Europa em de investir 10 vezes mais em prospeção, conclui um novo estudo técnico encomendado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e elaborado com o apoio da Aurum Exploration Limited.
O estudo indica que o investimento em prospeção na União Europeia (UE) teria de aumentar de cerca de 200 milhões de euros para aproximadamente 2 mil milhões de euros por ano nos próximos cinco anos, para ajudar a cumprir as metas europeias de extração interna previstas no Regulamento das Matérias-Primas Críticas.
Este nível colocaria o investimento europeu em prospeção acima dos valores atualmente registados no Canadá e na Austrália, dois dos principais mercados mineiros mundiais.
O estudo revela ainda que a União Europeia continua a captar apenas uma pequena parcela do investimento global em prospeção. Em 2024, o Canadá representou 20% do orçamento mundial de prospeção e a Austrália 16%, enquanto a UE ficou pelos 3%. Ainda assim, o documento identifica exemplos positivos dentro da Europa, com países como a Finlândia e a Suécia a demonstrarem que é possível desenvolver uma atividade de prospeção mais dinâmica no continente.
O estudo centra-se numa das etapas do desafio das matérias-primas: a prospeção mineral. Sem prospeção, não há novas minas, novas fontes de abastecimento interno nem uma carteira sólida de projetos para futuros investimentos. No entanto, esta é também a fase de maior risco da cadeia de valor das matérias-primas. Segundo o estudo, apenas cerca de um em cada 10 mil alvos iniciais de prospeção e um em cada mil projetos de prospeção mais avançados acabam por dar origem a minas em operação.
Recorde-se que o Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas estabelece como meta que, até 2030, pelo menos 10% do consumo anual da UE de matérias-primas estratégicas seja assegurado através de extração dentro do território comunitário. O estudo conclui que a ambição política da UE está atualmente à frente do número de projetos de prospeção capazes de avançar para fases de desenvolvimento, sobretudo devido ao reduzido investimento europeu nesta área ao longo de vários anos.
“O debate europeu sobre matérias-primas críticas começa frequentemente pelas importações. Isso pode criar a perceção de que a Europa continuará largamente dependente de fornecimentos externos”, afirmou Nicola Beer, vice-presidente do Banco Europeu de Investimento. “Mas este estudo mostra que a Europa tem um potencial mineral próprio significativo, que pode desempenhar um papel muito maior no reforço da segurança do abastecimento. O desafio é criar as condições para que esse potencial seja descoberto e desenvolvido de forma responsável.”
Segundo a responsável, isso implica “melhores dados geológicos, processos de licenciamento mais rápidos e previsíveis e instrumentos financeiros que ajudem a atrair investimento privado para uma fase de elevado risco, mas estrategicamente importante, da cadeia de valor”.
O estudo identifica também os obstáculos que limitam a prospeção no espaço europeu. Entre eles estão sistemas de licenciamento complexos e fragmentados, longos prazos de aprovação, pouco conhecimento público sobre a importância das matérias-primas, cartografia geológica incompleta ou desatualizada, um número reduzido de pequenas empresas de prospeção capazes de assumir riscos iniciais e incentivos financeiros insuficientes para projetos em fases embrionárias.
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