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Transição energética acelera, mas países em desenvolvimento ficam para trás
Carta assinada por 17 líderes mundiais denuncia desigualdades: todo o continente africano recebeu apenas 2% do investimento global, apesar de ser uma das regiões mais vulneráveis.
23 Set 2025 - 16:29
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Nesta segunda-feira, 17 líderes mundiais assinaram uma carta a apelar à aceleração da transição energética, divulgada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas e a Semana do Clima de Nova Iorque. O documento sublinha profundas desigualdades globais, apesar do investimento recorde.
Em 2024, foram investidos cerca de 1,694 mil milhões de euros globalmente, segundo dados da Agência Internacional de Energia citados na carta. No setor da eletricidade, o investimento em tecnologias limpas superou em dez vezes o destinado aos combustíveis fósseis.
Apesar do avanço global, persistem desigualdades gritantes. “Muito mais precisa de ser feito para que a transição não só avance a nível global, mas também beneficie as populações e economias que mais dela necessitam. Muitos países continuam sem um ambiente favorável – em termos de infraestruturas, financiamento acessível, tecnologia e investimento – para participar na transição energética limpa”, alerta a carta.
África, um dos continentes mais vulneráveis às alterações climáticas, recebeu apenas cerca de 33,86 mil milhões de euros, 2% do total investido. Um valor que, embora seja o dobro de 2020, continua insuficiente para evitar que 550 milhões de pessoas fiquem sem acesso moderno a energia em 2030. “Este progresso desigual custa vidas”, realça o documento. O uso de combustíveis poluentes para cozinhar causa ainda 600 mil mortes anuais por doenças respiratórias no continente.
O Sudeste Asiático enfrenta um défice anual de 39,77 mil milhões de euros em investimento até 2035 para cumprir metas de transição. Já pequenos Estados insulares, apesar de ricos em sol e vento, esbarram na falta de interligações e armazenamento acessível. A América Latina, com um dos “mixes energéticos mais limpos do mundo”, continua dependente dos fósseis e com financiamento instável.
Fórum global para acelerar a mudança
Perante este cenário, foi lançado em janeiro o Fórum Global para as Transições Energéticas, uma plataforma que junta governos, instituições financeiras, empresas e filantropias para desbloquear financiamento, reduzir riscos e apoiar os países em desenvolvimento. A meta passa por triplicar a capacidade renovável instalada e duplicar a eficiência energética até 2030, em linha com as decisões da COP28.
Entre as iniciativas destacam-se a Parceria Acelerada para as Renováveis em África, a Rede Energética da ASEAN ou os projetos de industrialização verde no continente africano.
A carta invoca: “Temos de traduzir as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês) em ações e investimentos concretos que possam transformar vidas e fortalecer comunidades. Isto inclui avançar com reformas na arquitetura financeira global para garantir que o financiamento multilateral e os mecanismos de financiamento para a transição apoiam a implementação das NDCs e os resultados mais amplos da COP30”.
O documento foi assinado por representantes políticos como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente brasileiro, Lula da Silva, ou o presidente do Quénia, William Ruto.
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