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União Europeia terá de aumentar importações de gás natural em 13% para garantir reservas no inverno
ACER alerta que atualmente, as reservas de gás da UE encontram-se em cerca de 49% da capacidade. As injeções nas instalações de armazenamento situam-se abaixo da média dos últimos 10 anos para o período de verão e também abaixo dos níveis de 2025.
11 Jul 2026 - 10:24
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A União Europeia terá de aumentar as importações de gás natural liquefeito (GNL) em 13% em comparação com os níveis de 2025, para garantir o enchimento das reservas de gás antes do inverno de 2026/27, alerta a Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER), com base na Perspetiva de Abastecimento para o Verão de 2026, publicado pela Rede Europeia dos Operadores das Redes de Transporte de Gás (ENTSOG).
Com níveis de armazenamento inferiores aos dos últimos anos, a evolução dos mercados e as tensões geopolíticas estão a dificultar o reabastecimento e reforçar a necessidade de acelerar a reposição das reservas nos próximos meses, para atingir a meta de armazenamento a 90% antes do próximo inverno.
Ao mesmo tempo, a ENTSOG concluiu que o Regulamento da UE relativo ao Armazenamento de Gás prevê alguma flexibilidade, permitindo um objetivo de enchimento inferior. Assim, a meta de 80% poderia ser alcançada com os mesmos fluxos de GNL registados no ano passado, que rondam os 11 mil milhões de metros cúbicos por mês.
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No entanto, o relatório mostrou que as injeções nas instalações de armazenamento situam-se abaixo da média dos últimos 10 anos para o período de verão e também abaixo dos níveis de 2025, colocando em risco o calendário de enchimento.
Atualmente, as reservas de gás da UE encontram-se em cerca de 49% da capacidade, um nível semelhante ao observado em 2021.
O reabastecimento pode vir a atrasar ainda mais graças ao conflito em curso no Médio Oriente, que está a fazer subir os preços do gás e a reduzir a habitual diferença entre os preços de verão e de inverno, reporta a ENTSOG, já que esta situação acaba por enfraquecer o incentivo económico ao enchimento das reservas de armazenamento.
Nos últimos anos, tem se verificado que os preços do gás para entrega no verão têm sido, por vezes, superiores aos preços de inverno. Esta diferença de preços reduz a rentabilidade da compra de gás no verão para armazenamento e posterior venda.
A ACER estima que, se os preços atingirem os 50 € por MWh, o custo adicional para encher os tanques de armazenamento poderá ascender entre 10 mil milhões e 15 mil milhões de € .
Ainda assim, o relatório prevê que a capacidade de regaseificação de GNL da UE ajude a compensar os níveis mais baixos de armazenamento e a satisfazer a procura durante o inverno, desde que sejam assegurados fornecimentos adequados de gás natural.
A ACER alerta também que o mercado europeu está cada vez mais dependente dos Estados Unidos, que já fornecem quase dois terços do GNL importado pela UE e cerca de 30% do total de suas compras de gás estrangeiro.
Esta situação de dependência viu-se agravada com a entrada em vigor do Regulamento REPowerEU sobre gás proibiu, a partir de 25 de abril, as entregas de GNL russo ao abrigo de contratos de curto prazo.
Neste contexto, o conflito no Oriente Médio vem acrescentar mais uma fonte de incerteza, já que a agência estima que uma interrupção prolongada na produção do Catar poderia gerar um déficit global de até 26 bilhões de metros cúbicos de GNL e elevar a procura europeia por remessas para aproximadamente 56 bilhões de metros cúbicos.
Assim, a concorrência com a Ásia poderia levar o mercado a novos aumentos de preços, o que dificultaria ainda mais a campanha de reabastecimento da UE até ao inverno.
Perante os riscos identificados, a Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia incentiva os estados-membros, e as respetivas autoridades competentes, a “acompanharem de perto” a evolução do enchimento das reservas nos próximos meses e a promoverem um progresso contínuo, gerindo ativamente os riscos em conformidade com o Regulamento da UE relativo ao Armazenamento de Gás.
Preocupada com o futuro, a ACER sublinha a importância de continuar a avaliar de que forma as interrupções planeadas e não planeadas no abastecimento de gás podem vir a afetar a capacidade da UE para cumprir os seus objetivos de enchimento das reservas.
Neste sentido, a agência europeia volta a salientar a necessidade de realizar abastecimentos atempados nas instalações de armazenamento ao longo dos próximos meses.
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