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Agricultura resiliente ao clima pode estabilizar rendimentos dos agricultores na Europa
Agência Europeia do Ambiente defende investimentos estratégicos e governança robusta para apoiar transição das explorações agrícolas face às alterações climáticas.
17 Mar 2026 - 15:22
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A agricultura europeia enfrenta uma tempestade perfeita entre alterações climáticas, degradação do solo e o aumento do custo de fertilizantes, pesticidas, energia e ração importada. Um relatório publicado pela Agência Europeia do Ambiente (AEA) mostra que práticas de agricultura resiliente ao clima (CRA, na sigla em inglês) podem não só proteger os ecossistemas e a segurança alimentar, mas também estabilizar os rendimentos das explorações agrícolas.
O estudo, intitulado “Construir uma agricultura resiliente às alterações climáticas na Europa: uma perspetiva económica”, analisou 51 casos de explorações em toda a Europa, do Reino Unido à Ucrânia. Os exemplos evidenciam que sistemas agrícolas resilientes ao clima, que combinam mudanças práticas no terreno com suporte económico e de governança, ajudam os agricultores a reduzir a dependência de recursos externos e operações dispendiosas, melhorando a resistência face a secas e cheias.
Uma prática destacada é a redução do cultivo. Nos casos estudados, esta técnica permitiu cortar o consumo de gasóleo em cerca de 50%, reduzir os custos de produção em 40% e diminuir a necessidade de mão de obra entre 25% e 30%. Mas a AEA reconhece que os agricultores podem ser economicamente mais vulneráveis durante a fase de implementação, especialmente quando os benefícios imediatos são limitados.
O relatório alerta que, em regiões já sob forte pressão climática, como o sul da Europa, os benefícios são visíveis rapidamente. Portugal está exposto à seca, por exemplo. O estudo mostra que explorações portuguesas tendem a combinar redução de custos (combustíveis, fertilizantes, água) com investimento em infraestrutura de água e práticas de conservação do solo, embora muitas vezes com evidência limitada de rentabilidade imediata.
Segundo o estudo, as secas na Europa são responsáveis por 54% das perdas agrícolas ligadas ao clima, seguidas de chuva intensa (21%), geadas (16%) e granizo (9%). Em conjunto, esses fenómenos respondem por 80% das perdas em toda a União Europeia. Em áreas menos afetadas, a consolidação da resiliência exige reestruturação de sistemas e coinvestimento público para gerir custos iniciais e riscos de transição, conclui.
Em anos particularmente secos, o rendimento das colheitas pode diminuir até 22%, enquanto uma duplicação da duração da seca poderia reduzir a produção de culturas essenciais, como a soja e o milho, em até 10%, conforme dados da OCDE citados pelo relatório. “Sem medidas climáticas firmes, prevê-se que as perdas anuais decorrentes da seca na UE e no Reino Unido aumentem de cerca de 9 mil milhões de euros atualmente para mais de 65 mil milhões de euros até 2100, com os impactos mais acentuados concentrados no sul e no oeste da Europa”, constata a AEA.
Quanto aos solos europeus, mais de 60% estão em condição “não saudável”, com perdas económicas estimadas entre 40 e 73 mil milhões de euros por ano. A degradação do solo agrava a vulnerabilidade a secas e calor extremo, afetando diretamente a produtividade agrícola.
Para a AEA, garantir a resiliência climática deve ser uma prioridade económica central: “Com investimentos direcionados, uma governação mais sólida e um melhor acompanhamento dos riscos climáticos e da adaptação, a Europa pode passar de uma gestão reativa de crises para uma resiliência proativa – estabilizando os rendimentos agrícolas e salvaguardando a produtividade agrícola a longo prazo”.
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