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Alterações climáticas podem reduzir 20% do PIB global até 2100

Relatório global do PNUMA revela que abordagens integradas para transformar os sistemas de economia e finanças, resíduos, energia, alimentação e ambiente poderiam gerar benefícios macroeconómicos globais de 18,4 biliões de euros por ano.

10 Dez 2025 - 12:11

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Foto: Unsplash

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Se o mundo mantiver o atual modelo económico, a temperatura média global deverá ultrapassar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais em 2030, subir até aos 2,0°C em 2040 e continuar a escalada até ao final do século. Neste cenário, as alterações climáticas podem reduzir 4% do PIB global até 2050 e 20% até 2100. As contas são reveladas pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA) no seu relatório global sobre as pressões ambientais que o mundo enfrenta.

A sétima edição do Global Environment Outlook, que compila o trabalho de 287 cientistas multidisciplinares de 82 países, aponta ganhos anuais de pelo menos 18,4 biliões de euros ao transformar cinco sistemas-chave que travem a degradação do planeta.

Segundo o PNUMA, trata-se da avaliação “mais abrangente do ambiente global alguma vez realizada”, que concluiu que investir num clima estável, numa natureza e terras saudáveis e num planeta livre de poluição pode gerar biliões de euros adicionais em PIB global, evitar milhões de mortes e tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza e da fome.

O relatório conclui que as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a degradação das terras, a desertificação, a poluição e os resíduos têm causado um pesado impacto no planeta, nas pessoas e nas economias. E que seguir os caminhos de desenvolvimento atuais “só intensificará este impacto”.

No entanto, abordagens integradas para transformar os sistemas de economia e finanças, materiais e resíduos, energia, alimentação e ambiente poderiam gerar benefícios macroeconómicos globais que poderiam atingir 18,4 biliões de euros por ano até 2070 e continuar a crescer.

Abandonar o PIB como único indicador

Um fator-chave desta abordagem é afastar-se do PIB como único indicador, utilizando métricas que também reflitam o capital humano e natural, incentivando as economias a avançar para a circularidade, a descarbonização do sistema energético, a agricultura sustentável, a restauração de ecossistemas e muito mais, aponta o PNUMA.

Este relatório “apresenta uma escolha simples para a humanidade: continuar no caminho de um futuro devastado pelas alterações climáticas, pela diminuição da natureza, pelas terras degradadas e pelo ar poluído, ou mudar de direção para garantir um planeta saudável, pessoas saudáveis e economias saudáveis. Na realidade, não há escolha nenhuma”, afirma Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA.

Neste sentido, a responsável recorda que o mundo já fez muito progresso: desde acordos globais sobre alterações climáticas, natureza, terras e biodiversidade, e poluição e resíduos, até mudanças concretas na indústria das energias renováveis, cobertura global de áreas protegidas e eliminação progressiva de químicos tóxicos. “Apelo a todas as nações para que consolidem este progresso, invistam na saúde do planeta e conduzam as suas economias rumo a um futuro sustentável e próspero”, sublinha Inger Andersen.

Efeitos positivos da transformação

O relatório antevê que os caminhos de transformação trarão benefícios macroeconómicos globais a partir de 2050. E atingirão, por exemplo, 18,4 biliões de euros por ano em 2070 e poderão crescer posteriormente até 92 biliões de euros por ano.

Prevê-se também uma redução da exposição a riscos climáticos, menor perda de biodiversidade até 2030 e um aumento das terras naturais.

Nove milhões de mortes prematuras podem ser evitadas até 2050 através de medidas como a redução da poluição do ar. Até 2050, quase 200 milhões de pessoas poderiam ser tiradas da desnutrição e mais de 100 milhões da pobreza extrema.

Para atingir emissões líquidas zero até 2050 e garantir financiamento adequado para conservar e restaurar a biodiversidade, seriam necessários 7,36 biliões de euros de investimento anual até 2050. No entanto, o custo da inação é muito maior, destaca o PNUMA.

Seguir os caminhos de transformação exigirá mudanças profundas em cinco áreas-chave.

Nomeadamente, na economia e finanças, nos materiais e resíduos, na energia, nos sistemas alimentares e no ambiente.

 

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