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Avançar na energia com os pés assentes na terra
A Europa entrou numa fase em que avançar exige uma combinação equilibrada de ambição, realismo e consistência. Por Manuel Tânger, Chief Innovation Officer na Beta-i
11 Dez 2025 - 07:31
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Manuel Tânger, Chief Innovation Officer na Beta-i
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Manuel Tânger, Chief Innovation Officer na Beta-i
A transição energética na Europa entrou numa fase muito diferente daquela que marcou o seu arranque. O entusiasmo inicial, alimentado por metas ambiciosas e pela expectativa de uma transformação rápida, deu lugar a um cenário mais complexo, onde a ambição climática, a competitividade económica e a segurança energética têm de coexistir. Hoje, o desafio já não é apenas avançar: é saber avançar de forma equilibrada, num contexto global que não se move ao mesmo ritmo.
Durante anos, a narrativa da transição energética europeia foi marcada por entusiasmo e por uma confiança quase imediata na capacidade de transformação. Apesar do impulso se manter atualmente, já não é suficiente. A Europa entrou numa fase em que avançar exige uma combinação equilibrada de ambição, realismo e consistência.
Os dados mais recentes da Agência Europeia do Ambiente, apresentados no relatório Trends and Projections in Europe 2024, mostram isso com clareza. A União Europeia está a cumprir a trajetória de redução de emissões prevista para 2030, mas continua afastada das metas de energias renováveis e de eficiência energética. Para atingir esses objetivos, seria necessário mais do que duplicar o ritmo recente de instalação de capacidade limpa e de redução do consumo energético. A transição não abrandou; tornou-se simplesmente mais exigente do ponto de vista estrutural.
O mesmo se verifica no setor empresarial. Num contexto de custos elevados, volatilidade e diferentes velocidades de transição entre regiões, várias empresas ajustaram metas intermédias. Este movimento não traduz falta de compromisso, mas sim uma maior maturidade e consciência de que metas só são relevantes quando existem condições reais para as cumprir. A inovação precisa de escala, estabilidade e previsibilidade para se transformar em impacto.
As energias renováveis deixaram de ser apenas uma escolha ambiental, tornaram-se uma resposta estratégica à necessidade de independência energética, de estabilidade de preços e de competitividade industrial. No entanto, mesmo com tecnologias mais baratas, os consumidores nem sempre beneficiam disso, porque o mercado elétrico continua a refletir modelos que não acompanham a velocidade da mudança.
Ainda assim, é na inovação que reside a chave deste novo capítulo. Soluções de armazenamento, redes inteligentes e ferramentas baseadas em dados e inteligência artificial estão a moldar um sistema mais distribuído e mais preparado para o futuro. O desafio passa por garantir que estas soluções encontram condições para crescer e não ficam confinadas a pilotos ou a incertezas regulatórias.
A Europa avança agora para uma fase em que a ambição deve caminhar lado a lado com o pragmatismo. É uma fase que exige sentido de urgência: políticas coerentes, mecanismos de mercado ajustados e uma visão internacional alinhada. Se conseguir unir estes elementos, a Europa terá condições não só para cumprir a transição, mas para liderá-la.
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