Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

3 min leitura

Banco de Inglaterra endurece regras para riscos climáticos: um novo teste à resiliência financeira

O setor financeiro inglês também se alinha com o reconhecimento de que os riscos climáticos são riscos financeiros. Parece que só nos EUA é que este racional não é seguido. Por Sofia Santos, CEO da Systemic

15 Dez 2025 - 16:50

3 min leitura

Sofia Santos, CEO da Systemic

Sofia Santos, CEO da Systemic

A partir de dezembro de 2025, bancos e seguradoras no Reino Unido enfrentam um dos mais ambiciosos pacotes regulatórios sobre riscos climáticos. A Supervisory Statement 5/25, publicada pela Prudential Regulation Authority (PRA), substitui a SS3/19 e estabelece um quadro mais rigoroso, alinhado com padrões internacionais como os Princípios do Comité de Basileia, as normas globais de divulgação do International Sustainability Standards Board (ISSB) e as orientações da International Association of Insurance Supervisors (IAIS). O setor financeiro inglês também se alinha com o reconhecimento de que os riscos climáticos são riscos financeiros, e como tal o Supervisor tem agora um papel também em matérias climáticas. Parece que só nos EUA é que este racional não é seguido.

Porquê esta mudança?

As alterações climáticas deixaram de ser um tema ambiental para se tornarem um risco sistémico para a estabilidade financeira. Os impactos surgem por duas vias: riscos físicos, associados a eventos extremos e mudanças climáticas de longo prazo, e riscos de transição, ligados à adaptação para uma economia mais verde e neutra em carbono. A ocorrência destes riscos pode desvalorizar ativos, aumentar perdas de crédito e gerar litígios. A incerteza quanto à escala e ao timing destes riscos, aliada à sua natureza irreversível, exige uma abordagem estratégica e antecipatória. Os bancos e seguros têm de saber gerir estes riscos.

O que vai mudar para bancos e seguradoras

A PRA exige que estas instituições integrem os riscos climáticos na sua governança, gestão e reporte. Os conselhos de administração devem compreender os impactos no modelo de negócio e definir estratégias claras, apoiadas por análises regulares de cenários climáticos. Estas análises devem avaliar efeitos sobre solvência, liquidez e viabilidade do negócio, incluindo testes de esforço reversos para identificar pontos de falha.

A gestão de risco passa a incluir os riscos climáticos nos registos internos, com definição de apetite ao risco, métricas quantitativas e políticas de exclusão. A qualidade dos dados é crítica: a PRA admite o uso de proxies, mas exige planos para colmatar lacunas. A transparência também sobe de nível, com exigências de divulgação sobre como estes riscos são integrados na estratégia.

Há obrigações específicas: bancos devem refletir riscos climáticos nas demonstrações financeiras, no cálculo de perdas esperadas (ECL) e nos processos ICAAP e ILAAP. Seguradoras devem incorporar estes riscos no ORSA, no cálculo do SCR e na avaliação de provisões técnicas, incluindo impactos em mortalidade, morbilidade e catástrofes naturais.

Até junho de 2026, todas as entidades devem concluir uma revisão interna para identificar lacunas e apresentar planos credíveis e ambiciosos para as colmatar. A aplicação será proporcional à materialidade do risco, mas não há espaço para complacência: mesmo pequenas instituições podem estar significativamente expostas. A mensagem é inequívoca: gerir riscos climáticos deixou de ser uma opção reputacional e passou a ser uma exigência prudencial.

Face a estes desenvolvimentos, quem pensa que o ESG abrandou ou morreu está completamente enganado.

 

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade