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Brasil aposta em combustível sustentável para a aviação a partir de palmeira nativa

Projeto na Bahia prevê investimento superior a 2,6 mil milhões de euros numa biorrefinaria de SAF e diesel renovável produzido a partir de macaúba. A IATA aponta o Brasil como eventual “potência mundial” no desenvolvimento deste combustível.

09 Ago 2026 - 14:44

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Foto: Magnific

Foto: Magnific

A empresa Acelen Renováveis está a desenvolver no Brasil uma biorrefinaria integrada de combustíveis renováveis avaliada em mais de 3 mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros), destinada à produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla inglesa) e diesel renovável a partir de macaúba, uma palmeira nativa brasileira rica em óleo vegetal.

O projeto, localizado no estado da Bahia, prevê a produção de cerca de mil milhões de litros anuais de SAF e HVO (diesel renovável) e deverá utilizar a tecnologia HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), uma das principais rotas atualmente utilizadas para transformar óleos e gorduras em combustíveis sustentáveis para a aviação.

“Vamos acelerar a transição energética em escala global com combustíveis renováveis produzidos a partir da macaúba, matéria-prima renovável com 100% do cultivo feito em pastagens degradadas no Brasil”, indica a empresa. A primeira unidade deverá entrar em operação em 2029, segundo a empresa.

A promotora refere também que o projeto “posicionará o Brasil entre os principais polos globais de combustíveis sustentáveis para aviação e transporte pesado”. Algo corroborado já pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla inglesa), que em maio passado no passado mês de junho referiu que o Brasil tem potencial para se tornar uma potência mundial no SAF, devido à disponibilidade de biomassa, experiência acumulada na produção de biocombustíveis e capacidade industrial.

Segundo a associação, o Brasil poderá dispor de cerca de 180 milhões de toneladas de biomassa até 2050, com potencial para gerar aproximadamente 60 milhões de toneladas de SAF. Num cenário em que a IATA estima que a aviação mundial necessitará de cerca de 500 milhões de toneladas de SAF por ano até 2050 para cumprir o objetivo de emissões líquidas zero de CO₂.

A macaúba é uma palmeira nativa da América do Sul cujo fruto contém óleo com potencial para produção de biocombustíveis. A Acelen pretende desenvolver uma cadeia integrada, desde o cultivo da planta até à transformação da matéria-prima em combustíveis renováveis, apostando também na utilização de áreas degradadas.

Em maio de 2026, a empresa anunciou a estruturação de 1,5 mil milhões de dólares em financiamento para avançar com a construção da biorrefinaria, através de um consórcio liderado pelo HSBC e pela International Finance Corporation, instituição do Grupo Banco Mundial voltada ao desenvolvimento do setor privado.

A biorrefinaria será construída numa área industrial existente em São Francisco do Conde, na Bahia. No pico das obras, a expectativa é gerar cerca de 3,6 mil empregos diretos e indiretos.

 

 

 

 

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