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Cada dólar investido na proteção do ambiente pode gerar até 15 dólares
Cada ano de atraso na implementação de medidas de proteção do ambiente representa a perda de mais de 1,5 mil milhões de dólares em benefícios anuais, segundo um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente. E abordar conjuntamente as alterações climáticas e a poluição do ar oferece retornos superiores.
08 Set 2026 - 13:50
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Foto: Adobe Stockp/Wanan
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Cada dólar (cerca de 0,86 euros) investido no combate às alterações climáticas e à poluição atmosférica pode gerar cerca de 15 dólares (12,9 euros) em benefícios económicos, segundo um novo relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA, na sigla em inglês).
O relatório concluiu que uma abordagem conjunta às alterações climáticas e à poluição do ar oferece retornos superiores aos obtidos quando os dois problemas são enfrentados separadamente.
Assim, o PNUMA identificou um conjunto de 25 medidas cuja implementação poderia gerar benefícios económicos anuais equivalentes a 2,8% do PIB mundial em 2035, 4,5% em 2050 e 11,4% até ao final do século.
“Durante demasiado tempo, tratámos a ação climática como um custo a gerir e a poluição atmosférica como uma consequência inevitável do desenvolvimento. Este relatório mostra o contrário: o ar limpo é um fator fundamental para o desenvolvimento, a saúde, a segurança alimentar e energética e a estabilidade climática, um ativo no qual devemos investir”, afirma Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA, num comunicado consultado pelo Jornal PT Green.
O relatório estima ainda que cada ano de atraso na implementação destas medidas represente a perda de mais de 1,5 mil milhões de dólares, cerca de 1,3 mil milhões de euros, em benefícios anuais, o equivalente a 0,5% do PIB mundial. Mesmo excluindo benefícios relacionados com o bem-estar e saúde, as medidas podem gerar um retorno de cerca de quatro dólares por cada dólar investido.
Os benefícios associados ao combate às alterações climáticas e à poluição atmosférica incluem a redução das despesas com saúde, o aumento da produtividade laboral e a diminuição dos danos físicos provocados pelas alterações climáticas.
“Cada ano de atraso custa ao mundo mais de 1,5 mil milhões de dólares em benefícios que não poderemos recuperar. Os ministérios das Finanças e os investidores que continuam a manter o clima e a qualidade do ar em linhas orçamentais separadas estão a deixar milhares de milhões em cima da mesa”, lê-se no comunicado.
As medidas apresentadas no documento abrangem seis setores, sendo estes energia e sistemas de combustíveis fósseis, indústria, transportes, agricultura e sistemas alimentares, cozinhar e aquecimento residencial e gestão de resíduos, de forma a apoiar a descarbonização a longo prazo.
Entre as medidas sugeridas estão ainda o reforço da produção de energia renovável e da eficiência energética, a expansão de soluções de cozinha e aquecimento limpos, normas mais rigorosas para as emissões dos veículos e a eletrificação dos transportes.
O relatório inclui também medidas para reduzir as fugas na produção de petróleo e gás, melhorar a gestão do gado e dos fertilizantes, alterar práticas de cultivo de arroz, reduzir a queima de resíduos agrícolas e reforçar a gestão de resíduos sólidos e águas residuais.
De acordo com a ONU, a aplicação imediata das medidas permitiria reduzir para metade as emissões globais de dióxido de carbono até 2050, diminuir as emissões de metano em 60% e cortar cerca de 70% das emissões dos principais poluentes atmosféricos, incluindo carbono negro, dióxido de enxofre e óxidos de azoto.
Além disso, este conjunto de medidas poderia evitar cerca de 0,34 ºC de aquecimento global até 2050 e 1,4 ºC até 2100. Como as temperaturas sobre os continentes aumentam mais rapidamente do que a média global, o aquecimento evitado na maioria das regiões poderia atingir entre 1,5 ºC e 2 ºC até ao final do século, segundo o relatório.
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