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Famílias portuguesas podem poupar centenas de euros por ano através da economia circular
Ações como planear melhor as compras, evitar o desperdício alimentar, reparar equipamentos ou optar por produtos em segunda mão podem ajudar na poupança dos agregados familiares, alerta a associação Smart Waste.
18 Ago 2026 - 12:47
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Foto: Adobe stock/lovelyday12
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A economia circular pode ajudar as famílias a poupar centenas de euros por ano através de escolhas simples, como planear melhor as compras, evitar o desperdício alimentar, reparar equipamentos ou optar por produtos em segunda mão, destaca a associação Smart Waste.
Para a associação, o desperdício alimentar é uma das áreas em que a relação entre circularidade e poupança é mais evidente. De acordo com os dados provisórios mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a 2024, foram desperdiçadas em Portugal mais de 1,8 milhões de toneladas de alimentos, o equivalente a 161,2 kg por habitante. Cerca de 65% do total teve origem no consumo doméstico.
Neste sentido, a Smart Waste alerta que “este desperdício tem também uma expressão financeira”. Uma estimativa divulgada pela Too Good To Go em 2024, com base nos dados europeus então disponíveis, apontava para cerca de 350 euros por pessoa, por ano, gastos em alimentos que não chegam a ser consumidos. Num agregado de três pessoas, o valor desperdiçado aproxima-se dos mil euros anuais, conclui a associação.
Ainda que os valores variem consoante a dimensão do agregado e os hábitos de consumo, ações como planear as refeições, confirmar o que existe em casa antes de comprar, conservar corretamente os alimentos, verificar os prazos de validade e reaproveitar sobras permite reduzir perdas.
Além disso, a associação alerta para a leitura correta dos rótulos, distinguindo a data-limite de consumo da indicação “consumir de preferência antes de”, uma vez que esta ajuda a evitar que alimentos ainda próprios para consumo sejam descartados.
Reparar antes de substituir também pode contribuir para reduzir a despesa das famílias. Segundo o Parlamento Europeu, os consumidores da União Europeia gastam, em conjunto, cerca de 12 mil milhões de euros por ano ao substituir bens que poderiam ser reparados.
“Pedir um diagnóstico e comparar o custo da reparação com o de um produto novo pode evitar uma despesa elevada, além de prolongar a vida útil de equipamentos, roupa ou mobiliário”, sublinha a Smart Waste.
Quando a substituição é necessária, comprar artigos em segunda mão ou recondicionados pode representar uma alternativa mais económica, nomeadamente em roupa, mobiliário e equipamentos eletrónicos. Para bens de utilização ocasional, como ferramentas ou material de lazer, o aluguer, empréstimo ou partilha também permitem evitar uma compra.
A associação reforça ainda que “a pressão sobre os recursos reforça a importância desta mudança” e relembra que, se toda a humanidade consumisse ao nível da população portuguesa, seriam necessários cerca de três planetas para responder à procura. Em 2026, o Dia da Sobrecarga da Terra de Portugal ocorreu a 7 de maio, segundo a Global Footprint Network, o que significa que a partir desse dia o país passou a viver em crédito ambiental.
Para a Associação Smart Waste Portugal, aproximar a economia circular dos cidadãos passa por evidenciar os benefícios concretos destas práticas no quotidiano. No entanto, “a mudança não depende, contudo, apenas das famílias”, alerta a associação.
“Ao nível das empresas, estas devem disponibilizar produtos mais duráveis e reparáveis, peças e serviços de reparação, enquanto as políticas públicas devem tornar a reutilização, a partilha e a compra em segunda mão opções acessíveis”, refere a Smart Waste.
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