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Carros elétricos emitem sons que confundem peões e aumentam risco de acidentes

Investigação sueca revela que sinais acústicos de veículos elétricos são difíceis de localizar, especialmente quando vários carros circulam ao mesmo tempo. E sugere que é necessário repensar o desenho acústico dos veículos elétricos.

18 Ago 2025 - 14:35

4 min leitura

Foto: Freepik

Foto: Freepik

Os veículos elétricos são cada vez mais comuns nas estradas e, para compensar a ausência do ruído típico dos motores de combustão, passaram a incluir sistemas de aviso sonoro destinados a alertar peões e ciclistas. No entanto, uma nova investigação da Chalmers University of Technology, na Suécia, mostra que estes sinais podem não ser tão eficazes em termos de segurança como se pensava.

Segundo o estudo, publicado na revista The Journal of the Acoustical Society of America, alguns dos sons mais usados em automóveis elétricos e híbridos revelaram-se difíceis de localizar pelos ouvintes. Nos testes laboratoriais, envolvendo 52 participantes, muitos não conseguiram identificar a direção de onde vinha o som, nem distinguir se estavam a ouvir um, dois ou três veículos em simultâneo.

Num dos cenários testados, com sinais compostos por dois tons diferentes emitidos por três veículos ao mesmo tempo, nenhum dos voluntários conseguiu localizar corretamente todos os avisos dentro do limite de dez segundos. Este tipo de som mostrou-se especialmente difícil de identificar, ao contrário do ruído familiar de motores de combustão interna, que é mais fácil de localizar devido às suas pulsações curtas e múltiplas frequências.

Atualmente, os requisitos internacionais para estes sistemas — conhecidos como AVAS (Acoustic Vehicle Alerting System) — obrigam os veículos elétricos e híbridos a emitir sons quando circulam a baixas velocidades, até 20 km/h na Europa, China e Japão, e até 30 km/h nos Estados Unidos. Contudo, essas normas focam-se apenas na “detetabilidade” do som, isto é, garantir que as pessoas percebem que há um veículo por perto, mas não contemplam a capacidade de identificar a direção ou o número de veículos envolvidos.

“Se imaginarmos, por exemplo, um parque de supermercado, não é inconcebível que vários carros semelhantes, com o mesmo sinal acústico, estejam a circular ao mesmo tempo em diferentes direções”, explicou Leon Müller, doutorando no Departamento de Arquitetura e Engenharia Civil da Chalmers. O investigador sublinha que isso pode criar situações de risco, dado que os peões não conseguem reagir de forma adequada quando não sabem de onde vem o perigo.

Os testes mostraram também que os sons de motores de combustão interna continuam a ser mais fáceis de localizar, uma vez que são compostos por pulsações curtas em várias frequências, ao contrário dos tons fixos usados pelos veículos elétricos. Além da estrutura sonora, a familiaridade com o ruído tradicional dos automóveis pode explicar porque é que os participantes tiveram menos dificuldade em identificar esses sons.

O professor Wolfgang Kropp, também da Chalmers, alerta que os sinais sonoros atuais costumam ser testados em condições controladas, sem o ruído de fundo que existe em ambientes urbanos. “Na realidade, o trânsito mistura uma grande variedade de sons, o que pode reduzir ainda mais a eficácia destes avisos”, destacou.

Os investigadores defendem que é necessário repensar o desenho acústico dos veículos elétricos, procurando sons que não apenas garantam que são ouvidos, mas que também permitam a correta perceção da direção e da quantidade de carros em circulação.

Um estudo de seguimento já está em curso para investigar como estes sinais são percebidos em condições reais de tráfego e que impacto podem ter nos utilizadores mais vulneráveis da estrada.

 

 

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