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Centros de dados da Google na Índia enfrentam críticas devido ao elevado consumo de água

De acordo com o governo do estado de Andhra Pradesh, no sul da Índia, a cidade recebe diariamente 410 milhões de litros de água provenientes de reservatórios e rios, quando as necessidades da comunidade ascendem a 480 milhões de litros por dia.

06 Ago 2026 - 16:47

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Foto: Freepik

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O complexo de centros de dados da Google na Índia, avaliado em 15 mil milhões de dólares (cerca de 12,9 mil milhões de euros), está a enfrentar a oposição de grupos ambientalistas preocupados com o uso excessivo de água, numa região onde os recursos hídricos já são escassos.

No entanto, o governador do estado de Andhra Pradesh, no sul da Índia, onde estão a ser construídos os centros de dados, classifica o projeto como histórico e transformador e rejeita as alegações de que o empreendimento foi acelerado sem uma avaliação adequada dos riscos para os recursos hídricos e para a vida selvagem, segundo a Reuters.

Ainda assim, um grupo de ativistas está a planear campanhas de sensibilização porta a porta e protestos nas praias para os próximos dias. 

“O desenvolvimento não deve ser feito à custa dos meios de subsistência das pessoas”, afirma Raja Rama Mohan Roy, fundador da organização sem fins lucrativos Green Visakha, à Reuters. 

Segundo o governo, a cidade recebe diariamente 410 milhões de litros de água provenientes de reservatórios e rios, quando as necessidades ascendem a 480 milhões de litros por dia. O racionamento do abastecimento de água já é frequente nesta cidade da Índia, que conta com uma população de cerca de 2,5 milhões de habitantes.

A rápida expansão dos centros de dados tem enfrentado contestação em vários países devido ao elevado consumo de água necessário para arrefecer os servidores e ao consumo massivo de eletricidade. Nos Estados Unidos, grupos de ambientalistas organizaram 142 protestos em 42 estados durante o mês de julho, com preocupações semelhantes.

Nesta segunda-feira, o Supremo Tribunal do estado determinou que o governo respondesse às alegações apresentadas pelo grupo ativista Jal Biradari (Comunidade da Água), que defende que o projeto vai agravar a disponibilidade de água ao exercer pressão sobre um reservatório próximo.

Segundo a Reuters, o governo estadual classificou as preocupações dos ativistas como “incorretas e enganadoras”, mas acrescentou estar disponível para ouvir contributos: “Esses protestos fazem parte do direito democrático. Caso alguma destas alegações seja legítima, o governo está empenhado em dialogar, prestar esclarecimentos factuais e adotar medidas adequadas para resolver a situação”, afirma.

Além disso, o governo estadual garante que “não será utilizada água destinada ao consumo das populações rurais ou residenciais para abastecer os futuros centros de dados” e que o reservatório existente nas proximidades “também não será utilizado para esse fim”. 

Por outro lado, a Google garante que o projeto será desenvolvido em conformidade com toda a legislação aplicável e que recorrerá a sistemas avançados de arrefecimento por ar para proteger os recursos hídricos locais.

A empresa estabeleceu uma parceria com o grupo do empresário indiano Gautam Adani, que ficará responsável pela construção do projeto, que deverá criar até 188 mil postos de trabalho. 

A ação judicial de interesse público apresentada no Tribunal do estado de Andhra Pradesh levanta ainda preocupações quanto ao impacto das obras e do ruído sobre o Santuário de Vida Selvagem de Kambalakonda, localizado a cerca de 860 metros do complexo de centros de dados. No entanto, o governo garante que foram cumpridas as distâncias mínimas exigidas por lei. 

Enquanto isso, a Google afirma que irá implementar medidas de redução do ruído para garantir que é “um vizinho discreto e silencioso”, segundo a Reuters.

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