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Combate ao desperdício de metano pode gerar gás suficiente para compensar crise no Estreito de Ormuz

Cerca de 70% das emissões de metano dos combustíveis fósseis em 2025 vieram dos 10 países com maiores emissões. Parte dessas emissões acontece por fugas ou desperdício.

04 Mai 2026 - 08:26

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Foto: Unsplash

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Medidas para reduzir o desperdício de metano no setor energético poderão libertar volumes significativos de gás natural e ajudar a aliviar a pressão sobre os mercados globais, num momento marcado por perturbações na oferta associadas à crise no Estreito de Ormuz. Segundo a Agência Internacional da Energia (AIE), estas soluções já disponíveis permitem colocar rapidamente cerca de 15 mil milhões de metros cúbicos de gás no mercado, com potencial para atingir até 200 mil milhões por ano a médio prazo.

Recorde-se que o setor energético ligado ao petróleo, gás e carvão é responsável por emissões significativas de metano, sendo que grande parte dessas emissões acontece por fugas, desperdício ou queima de gás que podia ser aproveitado.

Num relatório publicado nesta segunda-feira, a agência internacional refere que muitos países e empresas anunciaram esforços para reduzir as emissões de metano, como parte das medidas para limitar o aquecimento global no curto prazo e melhorar a qualidade do ar. Atualmente, compromissos de redução de metano abrangem mais de metade da produção mundial de petróleo e gás. Ainda assim, segundo o relatório, as emissões do setor energético estabilizaram perto de máximos históricos em 2025, revelando uma “grande lacuna” na implementação.

O relatório Global Methane Tracker 2026 sublinha, contudo, que existe um potencial significativo para agir. Os dados indicam que cerca de 70% das emissões de metano dos combustíveis fósseis em 2025 vieram dos 10 países com maiores emissões. Ao mesmo tempo, a intensidade de metano na produção de petróleo e gás varia bastante entre países, com os melhores a apresentarem desempenhos mais de 100 vezes superiores aos piores.

No contexto da atual crise energética, reduzir o metano pode também ajudar a reforçar a segurança do mercado de gás. Segundo o relatório, se alguns países com capacidade de exportação disponível e países importadores aplicassem medidas acessíveis de redução de metano, cerca de 15 mil milhões de metros cúbicos de gás poderiam rapidamente chegar ao mercado. A longo prazo, a redução global de metano nas operações de petróleo e gás poderia fornecer quase 100 mil milhões de metros cúbicos por ano, enquanto a eliminação da queima rotineira de gás poderia acrescentar outros 100 mil milhões, o dobro do volume afetado pelo fecho do Estreito de Ormuz, refere a AIE.

“Não é apenas uma questão climática: existem também benefícios significativos para a segurança energética, especialmente num momento em que o mundo procura urgentemente mais oferta”, refere Tim Gould, Chief Energy Economist da AIE.

De acordo com o relatório, muitas soluções para reduzir emissões de metano são conhecidas e economicamente viáveis. Cerca de 70% das emissões de metano dos combustíveis fósseis poderiam ser reduzidas com tecnologias existentes. Com base nos preços médios da energia em 2025, mais de 35 milhões de toneladas poderiam ser evitadas sem custos líquidos.

Uma das formas mais eficazes de redução passa por atuar nas atividades de produção (upstream), responsáveis por cerca de 80% das emissões de metano no setor do petróleo e gás, refere a AIE, que indica que o Canadá e a União Europeia introduziram recentemente regulamentação nesta área, enquanto o Brasil, o Gana e o Cazaquistão estão em processo de implementação.

 

 

 

 

 

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