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Desafios da industrialização verde: O momento é agora

Em Portugal, este caminho cruza-se com o desafio de modernizar as empresas, aumentar a competitividade e cumprir metas cada vez mais ambiciosas. Por Marta Résio, diretora de Sustentabilidade e Comunicação da GS1 Portugal

08 Out 2025 - 12:19

3 min leitura

Marta Résio, diretora de Sustentabilidade e Comunicação da GS1 Portugal

Marta Résio, diretora de Sustentabilidade e Comunicação da GS1 Portugal

Transitar para sistemas produtivos eficientes, mais inteligentes e, nessa medida, mais verdes, já não é uma opção: é uma necessidade urgente e estratégica. Em Portugal, este caminho cruza-se com o desafio de modernizar as empresas, aumentar a competitividade e cumprir metas cada vez mais ambiciosas. É um movimento que pede coragem, visão e ação coordenada, capaz de unir tecnologia, inovação e responsabilidade.

A industrialização verde, impulsionada pela inteligência artificial e por soluções inovadoras, é uma oportunidade única para transformar o tecido empresarial e preparar o país para o futuro. Mas para que esta ambição se torne realidade, é preciso enfrentar obstáculos estruturais e assumir que a neutralidade carbónica nas cadeias de valor, por mais ambiciosa que seja, não pode ser adiada.

Tudo começa com bases sólidas: informação rigorosa, rastreabilidade e transparência. Quando conseguimos seguir o percurso de um produto desde a sua origem até chegar às mãos do consumidor, ganhamos a capacidade de medir, avaliar e melhorar cada etapa. E, mais importante, geramos confiança, criamos impacto. No entanto, tecnologia, métricas e standards só geram impacto quando existe uma estratégia clara e uma cultura empresarial aberta à mudança.

A verdadeira transformação exige liderança e coerência. É fundamental que as metas ambientais, sociais e de ética na gestão sejam integradas nas decisões estratégicas e que todos — empresas, decisores e sociedade — partilhem uma visão comum. Sem dados fiáveis, não há governança eficaz; sem governança, não há progresso.

Portugal tem talento, criatividade e capacidade para inovar. A inteligência artificial, quando alimentada por dados bem estruturados, pode antecipar problemas, otimizar processos e reduzir desperdícios e emissões. Mas sem investimento em digitalização industrial e integração tecnológica, o ritmo da transição verde será sempre mais lento do que poderia ser. É preciso criar condições para que a tecnologia funcione de forma integrada, eficiente e sustentável.

Reduzir a pegada de carbono nas cadeias de abastecimento é um desafio global que só se consegue com colaboração. Medir e reduzir emissões implica conhecer cada etapa do percurso de um produto e agir sobre essa informação. É difícil, mas possível, quando existe rastreabilidade total, transparência e integração digital. A neutralidade carbónica não se alcança com promessas: exige compromisso contínuo e ação coordenada. E este é apenas um exemplo.

O futuro que queremos depende das escolhas que fazemos hoje. Precisamos de soluções e parcerias que ajudem as empresas a competir num mercado global e sustentável, apoiando modelos mais eficientes, transparentes e responsáveis. A industrialização verde, a inovação e a inteligência artificial, aliadas à neutralidade carbónica, são os pilares de uma economia resiliente e preparada para os desafios que estão por vir.

Portugal não pode limitar-se a acompanhar esta corrida económica e tecnológica. Deve inspirar, liderar e mostrar que é possível crescer de forma inteligente, sustentável e humana. O momento é agora.

 

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