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Diretor da T&E alerta que Bruxelas está sob pressão de setor automóvel para “enfraquecer” regras ambientais
William Tods assinala que metas acordadas no Pacto Ecológico vão sendo adiadas pelas cedências de europeias. “O problema é que, quando os lobbies empresariais sentem fraqueza, voltam sempre a pedir mais”, esclareceu.
02 Out 2025 - 16:33
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William Tods, T&E | Foto: transportenvironment.org
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William Tods, T&E | Foto: transportenvironment.org
O diretor executivo da Transport & Environment (T&E), William Tods, declarou, nesta quinta-feira, que a Comissão Europeia está sob alta pressão para “enfraquecer” as suas regras ambientais, nomeadamente por parte das marcas automóveis. Referiu que vão sendo adiadas, uma a uma, as metas acordadas no Pacto Ecológico, dando o exemplo dos dois adiamentos no regulamento sobre a desflorestação, da debilitação das normas do carbono para 2025 e do desmantelamento da Diretiva de Reporte da Sustentabilidade Empresarial.
William Tods refletiu que ouvir a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem sido “reconfortante e confuso”. O responsável da T&E explica a razão por detrás deste sentimento: “Estava em Nova Iorque quando a presidente […] disse aos líderes mundiais que a Europa está a manter a sua posição em matéria de clima. Uma semana antes, tinha dito ao Parlamento Europeu que ‘o futuro é elétrico’. No entanto, também terá prometido uma revisão apressada das normas de CO₂ para automóveis, durante um “diálogo estratégico” à porta fechada com os diretores-executivos das marcas automóveis”.
A T&E explicava no mês passado que os grupos lobistas da indústria automóvel têm pedido a Bruxelas que elimine os “fatores de utilização” aplicados aos híbridos plug-in em 2025 e 2027, o que lhes permitiria apresentar emissões mais baixas do que as reais.
Agora, William Tods diz que, à primeira vista, “isto pode parecer uma estratégia sensata” para a União Europeia: “Mais vale ceder um pouco do que perder tudo. O problema é que, quando os lobbies empresariais sentem fraqueza, voltam sempre a pedir mais”.
“Desmantelar as regras de CO₂ para automóveis da UE não só removeria um dos pilares centrais do Pacto Ecológico Europeu, como também condenaria os construtores automóveis europeus ao museu do automóvel”, realçou.
As flexibilidades, no seu conjunto, poderiam mesmo reduzir o número das vendas de veículos 100% elétrico daqui a uma década, entre 7 e 8%, assegurou o diretor executivo. Neste contexto, alertou que “qualquer enfraquecimento seria um golpe para a transição elétrica e prenderia os fabricantes em plataformas e modelos de motores de combustão”, bem como um impasse no cumprimento das metas definidas para 2040 e 2050.
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