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El Niño intensificou-se mais nos últimos 40 anos do que nos mil anos anteriores
Segundo investigadores, um El Niño de "proporções históricas" está a formar-se no Pacífico tropical. Algumas previsões apontam para que este episódio possa causar um aumento das temperaturas globais para 1,7 ou 1,8 graus acima do nível pré-industrial
31 Ago 2026 - 06:22
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Foto: Magnific
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Os episódios de El Niño registados nos últimos 40 anos foram quase 40% mais intensos do que os observados na era pré-industrial, segundo um novo estudo publicado na revista Science.
De acordo com o estudo, os eventos das últimas quatro décadas foram mais fortes do que qualquer outro episódio identificado nos mil anos anteriores a cerca de 1850.
A investigação foi realizada por investigadores da Universidade de Michigan e da Universidade da Califórnia, que analisaram corais modernos e antigos das ilhas Galápagos para reconstruir a evolução do fenómeno ao longo do último milénio.
Segundo a revista especializada, a publicação do estudo acontece enquanto um El Niño de “proporções históricas” se está a formar no Pacífico tropical. No final de agosto, as temperaturas da água ao largo de Santa Bárbara subiram para cerca de 21 graus.
Algumas previsões apontam para que o atual episódio possa contribuir para elevar as temperaturas globais para 1,7 ou 1,8 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, “o que é bastante superior ao atual recorde”, afirma a autora principal, Julia Cole, professora e diretora do Departamento de Ciências da Terra e do Ambiente da Universidade de Michigan.
O El Niño é um fenómeno natural associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical e pode provocar alterações nos padrões de temperatura e precipitação em várias regiões do mundo.
Os episódios mais fortes estão associados a secas, inundações, incêndios florestais, perdas agrícolas e impactos na saúde e nas infraestruturas.
Para reconstruir a evolução do fenómeno, os investigadores analisaram a composição química de amostras de 13 corais das ilhas Galápagos, incluindo colónias vivas e corais antigos. Os registos permitiram identificar episódios fortes de El Niño nos últimos 40 a 50 anos, enquanto os períodos anteriores apresentavam um padrão de menor intensidade.
Segundo os investigadores, a intensidade do fenómeno tem variado em paralelo com o aumento da temperatura global.
“Mostramos que a força do El Niño muda em paralelo com o aquecimento da temperatura global”, sublinha Julia Cole. “As nossas conclusões dizem-nos que os grandes episódios de El Niño dos últimos 40 anos não são normais no contexto dos últimos mil anos”, acrescenta
Os investigadores alertam ainda que, caso a tendência se mantenha, episódios extremos poderão tornar-se mais frequentes no futuro.
“Se esta tendência continuar no futuro, ‘super El Niños’, como o que se está a desenvolver neste momento, poderão tornar-se muito mais frequentes, com todos os impactos que daí resultam”, afirma um dos co-autores.
Além disso, os investigadores alertam que fenómenos extremos mais frequentes e intensos poderão provocar secas, inundações, incêndios florestais e insegurança alimentar. As alterações no ciclo hidrológico poderão também causar danos nas infraestruturas, como a destruição de casas, estradas e linhas ferroviárias, além de aumentar os riscos para a saúde pública.
“Acreditamos que o aquecimento global está a intensificar o El Niño”, alerta a autora do estudo. “E, se isso for verdade, esperamos extremos climáticos mais fortes, que vão agravar as perdas ecológicas, infraestruturais e humanas. Nenhum país tem recursos suficientes para estar totalmente protegido destes impactos. Esta é mais uma razão para nos afastarmos dos combustíveis fósseis, a raiz do problema”, realça.
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