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Investigadores portugueses identificam formações geológicas capazes de armazenar energia renovável
Para os autores, do GeoBioTec, esta investigação ganha relevância num contexto em que os sistemas elétricos dependem cada vez mais da integração de fontes renováveis intermitentes, segundo comunicado.
29 Ago 2026 - 10:25
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Investigadores portugueses demonstraram, num novo estudo, que formações geológicas profundas com potencial para armazenar até 1 terawatt-hora (TWh) de energia renovável, capacidade que poderá ser suficiente para abastecer centenas de milhares de habitações.
O estudo, publicado na revista Geoenergy, avalia pela primeira vez de forma integrada o potencial dos reservatórios geológicos porosos para o armazenamento de energia por ar comprimido.
A investigação foi desenvolvida por investigadores do GeoBioTec, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCT), e do Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Ao contrário das baterias convencionais, o armazenamento por ar comprimido utiliza o excesso de eletricidade produzido por fontes renováveis para comprimir ar atmosférico, que é posteriormente injetado em reservatórios geológicos profundos.
Quando existe necessidade de produzir eletricidade, esse ar é libertado e utilizado para acionar turbinas, explicam os investigadores, em comunicado. “Por utilizar apenas ar atmosférico, esta tecnologia evita muitos dos riscos associados ao armazenamento subterrâneo de gases combustíveis ou tóxicos, como o hidrogénio ou dióxido de carbono”
“O estudo analisa, pela primeira vez e de forma sistemática, a influência da profundidade nas condições de armazenamento subterrâneo de energia. À medida que aumenta a profundidade, variam simultaneamente a pressão e a temperatura, fatores que condicionam diretamente a quantidade de energia que pode ser armazenada. Assim, as rochas irão funcionar como uma gigante bateria debaixo dos nossos pés.” afirma Ricardo Pereira, Investigador do GeoBioTec da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa.

Armazenamento de energia em cavernas de sal | Gerado com IA pelos investigadores
Para os autores, esta investigação ganha relevância num contexto em que os sistemas elétricos dependem cada vez mais da integração de fontes renováveis intermitentes, segundo comunicado.
Neste cenário, as tecnologias de armazenamento de longa duração são consideradas fundamentais para reduzir o desperdício de produção renovável, reforçar a estabilidade das redes elétricas e assegurar serviços críticos, como o restabelecimento da rede após falhas generalizadas (black start), à semelhança do apagão que afetou Portugal e Espanha em abril de 2025.
Além disso, a investigação salienta ainda que o sucesso desta tecnologia depende não apenas das soluções de engenharia, mas fundamentalmente de uma caracterização geológica rigorosa.
Assim, a dimensão do reservatório, a porosidade, a permeabilidade, os limites de pressão e as condições geotérmicas são “fatores determinantes” para a viabilidade técnica e económica destes sistemas.
Os resultados obtidos permitem não só demonstrar o potencial desta tecnologia para o armazenamento subterrâneo de energia, mas também propor uma metodologia prática para identificar e avaliar reservatórios geológicos que apresentem características adequadas à instalação de futuros projetos.
Desta forma, a investigação poderá contribuir para a avaliação das condições necessárias ao desenvolvimento de soluções de armazenamento de energia em larga escala em formações geológicas profundas.
O artigo científico, intitulado “Impact of Depth-Dependent Geological Controls for Assessing Energy Capacity of Subsurface Compressed Air Energy Storage in Porous Media”, é da autoria de Ricardo Pereira, João Silva e Jorge Maia Alves.
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