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Rios da Europa estão cada vez mais salgados devido à ação humana
Em Portugal, as zonas de Santarém e do Baixo Alentejo estão entre as mais preocupantes, com a salinidade dos rios a duplicar nos últimos dez anos. Espanha está entre os casos mais graves da União Europeia.
30 Ago 2026 - 10:32
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Cerca de metade dos rios e cursos de água europeus estão cada vez mais salgados graças à ação humana, revela um novo estudo divulgado pelo JRC, o Centro de Estudos da União Europeia, que identifica mais de 23 mil quilómetros da rede hidrográfica com níveis de salinidade superiores a 1 mS/cm.
Em Portugal, ainda que o país esteja longe de ser um dos piores casos da UE, as zonas de Santarém e do Baixo Alentejo estão entre as mais preocupantes, com a salinidade dos rios a duplicar nos últimos dez anos, segundo os dados da base GlobSalt, utilizada no estudo.
A investigação, realizada por uma equipa internacional de cientistas, incluindo investigadores do Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia, constitui a primeira avaliação à escala europeia da salinização das águas doces. Os investigadores analisaram dados de rios de 35 países europeus, com registos de qualidade da água entre 1970 e 2024.
Os resultados mostram que, em 28 dos 35 países analisados, existem rios onde a salinidade mais do que duplicou face às condições naturais de referência estimadas. No conjunto da Europa, 26% da rede hidrográfica apresenta níveis baixos de salinização, 14% níveis moderados, 9% níveis graves e 1% níveis extremos.
A salinidade foi avaliada através da condutividade elétrica, medida em mS/cm, um indicador utilizado para estimar a concentração de sais na água.

Percentagem de salinidade dos rios europeus | Gráfico: Artigo Nature Communications
Além dos mais de 23 mil quilómetros de rios com valores superiores a 1 mS/cm, o estudo concluiu que a salinidade ultrapassa os limites definidos para água potável em cerca de 1% da rede hidrográfica europeia. No caso da água destinada à irrigação agrícola e à utilização industrial, os limites de qualidade são excedidos em cerca de 3% da rede.
A salinização resulta de uma combinação de fatores naturais e de pressões humanas. O clima, a geologia e a hidrologia influenciam naturalmente a salinidade dos rios, mas o estudo aponta também para uma forte associação entre o aumento da salinização, a atividade humana e as alterações no uso do solo.
As consequências podem ser significativas para os ecossistemas e para as populações. O aumento da concentração de sais pode alterar as comunidades aquáticas, ameaçar a biodiversidade e afetar recursos utilizados para consumo humano, agricultura e indústria.
Entre as zonas críticas já identificadas encontram-se rios na Alemanha, Polónia e Espanha, enquanto a investigação permitiu também identificar áreas anteriormente menos estudadas, sobretudo na Roménia e na Hungria.
Para os autores, os resultados podem, e devem, servir de base científica para reforçar a monitorização e gestão da salinização das águas doces à escala europeia.
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