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Empresas retiradas da CSRD mantêm aposta no reporte de sustentabilidade

Estudo europeu indica que 90% das organizações que deixaram de estar abrangidas pela diretiva europeia pretendem continuar ou reforçar a divulgação de informação ESG. Mas os recursos alocados deverão diminuir.

13 Mar 2026 - 16:01

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Foto: Freepik

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A maioria das empresas europeias que deixaram de estar abrangidas pelas obrigações da Diretiva de Reporte de Sustentabilidade Corporativa (CSRD, na sigla em inglês), após as recentes alterações introduzidas pelo pacote de simplificação regulatória da União Europeia, planeia continuar a reportar informação de sustentabilidade.

Um estudo divulgado pela tecnológica alemã osapiens conclui que 90% das organizações que ficaram fora do âmbito da diretiva pretendem manter ou até expandir as suas práticas de reporte ESG.

O relatório, intitulado “Para além da conformidade: o reporte de sustentabilidade após o pacote Omnibus”, baseia-se num inquérito realizado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 a 403 decisores de grandes empresas europeias com mais de mil trabalhadores. O levantamento procurou avaliar como as empresas estão a reagir às alterações introduzidas pelo chamado pacote “Omnibus”, que reduziu o número de organizações sujeitas a algumas obrigações de reporte de sustentabilidade na União Europeia. Nomeadamente, as regras da CSRD passaram aplicar-se apenas a empresas com mais de 1.000 trabalhadores e volume de negócios anual superior a 450 milhões de euros.

Apesar do alívio regulatório, as conclusões indicam que o reporte ESG (sigla para ambiental, social e governação) deixou de ser encarado apenas como uma exigência de conformidade. Para muitas empresas, passou a ser um instrumento de gestão de risco, de relação com investidores e de apoio à tomada de decisões estratégicas. De acordo com o estudo, 86% das empresas que ficaram fora do âmbito da CSRD dizem estar confiantes de que conseguem produzir relatórios alinhados com os padrões exigidos pela diretiva, mesmo sem obrigação legal.

O estudo revela também que o reporte de sustentabilidade está cada vez mais integrado nos processos financeiros das empresas. Cerca de 90% das organizações inquiridas afirmam que a informação ESG já está ligada, total ou parcialmente, aos sistemas de reporte financeiro. Estes dados são utilizados em decisões empresariais relevantes, como o planeamento operacional, o desenvolvimento de processos de inovação, o planeamento financeiro e a avaliação de riscos nas cadeias de valor.

Entre os principais benefícios identificados pelas empresas estão uma maior visibilidade sobre riscos climáticos e operacionais, o reforço da confiança dos investidores através de informação auditável e a capacidade de responder a exigências de clientes e parceiros comerciais que solicitam dados de sustentabilidade.

Menos recursos alocados à sustentabilidade

Apesar do compromisso generalizado para com a continuidade do reporte, o estudo identifica um potencial desafio para os próximos anos. Segundo os resultados, 84,5% das empresas admitem que a redução da pressão regulatória poderá traduzir-se, a médio prazo, numa diminuição dos recursos internos dedicados ao reporte de sustentabilidade. Os inquiridos apontam como principais obstáculos as restrições orçamentais, sistemas de dados fragmentados, dificuldades de integração tecnológica e a ausência de uma definição clara de responsabilidades dentro das organizações.

Os autores do relatório descrevem esta situação como um “paradoxo da sustentabilidade”, ou seja, as empresas reconhecem cada vez mais o valor estratégico do reporte ESG, mas enfrentam limitações internas para manter estruturas robustas de recolha e gestão de dados.

“Os resultados indicam uma clara preferência pela continuidade do reporte entre as grandes empresas que ficaram isentas ao abrigo do pacote Omnibus I. Este desenvolvimento coloca o reporte voluntário e as estratégias que vão além do cumprimento regulatório no centro da futura agenda de sustentabilidade”, refere Andreas Rasche, professor na Copenhagen Business School.

Também Alberto Zamora, cofundador e co-CEO da osapiens, considera que o papel do reporte está a mudar. Durante anos, refere, a trajetória regulatória foi marcada por um aumento contínuo de obrigações e de empresas abrangidas. O pacote Omnibus alterou essa dinâmica, mas os dados do estudo indicam que as empresas não estão a recuar. Para o responsável, o reporte “já não é apenas um exercício de cumprimento regulatório, mas parte da forma como as empresas compreendem o risco, alocam capital e promovem um crescimento sustentável”.

Mesmo com menor pressão regulatória, conclui o estudo, o reporte de sustentabilidade vai manter-se como fator de credibilidade junto de investidores e parceiros comerciais, além de um instrumento de gestão de risco e competitividade no mercado europeu.

 

 

 

 

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