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Energia solar impediu crescimento da eletricidade fóssil em 2025

Pela primeira vez em 100 anos, a quota do carvão não foi a dominante, dado que as renováveis ultrapassaram o carvão na produção elétrica global. A solar foi responsável por três quartos do aumento da procura mundial de eletricidade.

21 Abr 2026 - 00:01

3 min leitura

Foto: Unsplash

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A produção mundial de eletricidade a partir de fontes limpas cresceu o suficiente em 2025 para absorver todo o aumento da procura global, impedindo um crescimento das emissões associadas à geração elétrica fóssil. A energia solar foi a protagonista deste desenvolvimento, com um aumento de 30% face ao ano anterior (636 terawatts/hora), o ritmo de evolução percentual mais rápido em oito anos.

As conclusões constam do sétimo relatório anual “Global Electricity Review”, lançado nesta terça-feira pelo think tank de energia Ember. Só a solar foi responsável por 75% de todo o aumento da procura de eletricidade, enquanto combinada com a eólica cobriu 99%.

No conjunto, a geração limpa cresceu 887 TWh, ao superar ligeiramente o aumento da procura, que foi de 859 TWh. Por sua vez, a geração fóssil caiu 0,2%, fazendo de 2025 apenas o quinto ano neste século sem crescimento de eletricidade de origem fóssil.

A China foi o motor desta transformação, sendo responsável por mais de metade do aumento global tanto de capacidade como de geração solar. Também a Índia registou uma queda da geração fóssil, sustentada por recordes na solar e eólica e por uma procura mais moderada. É a primeira vez também neste século que a geração fóssil recua simultaneamente nos dois países mais populosos do mundo, e com maior peso histórico no aumento das emissões globais do setor elétrico.

Este duplo recuo teve consequências imediatas no equilíbrio global, com as renováveis a atingirem 34% da geração elétrica mundial em 2025. Assim, pela primeira vez em 100 anos, a quota do carvão não foi a dominante, ficando-se pelos 33%. A geração a partir de carvão caiu 63 TWh, a primeira descida desde 2020.

“Enquanto maior construtora mundial de energia limpa, os progressos da China demonstram como a procura crescente pode ser cada vez mais satisfeita com eletricidade limpa, em vez de combustíveis fósseis”, realçou o presidente da Sociedade Internacional para os Estudos sobre a Transição Energética, Xunpeng Shi.

O crescimento da solar começa também a ser acompanhado por uma vaga de instalação de baterias, que permitem transferir energia gerada a meio do dia para outros períodos. Em 2025, foi instalada capacidade de armazenamento suficiente para deslocar 14% da geração solar adicionada nesse ano para além das horas de maior produção. Países como o Chile e a Austrália surgem como referências nesta transição.

“Entrámos firmemente na era do crescimento limpo”, afirmou o diretor-geral da Ember, Aditya Lolla. “A energia limpa está agora a escalar suficientemente depressa para absorver o aumento da procura elétrica global, mantendo a geração fóssil estagnada antes do seu inevitável declínio”.

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