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Solar lidera pela primeira vez crescimento da oferta global de energia

Agência Internacional de Energia destaca o gás natural como segunda principal fonte de crescimento em 2025. E aponta a diversificação energética como estratégia segura para a resiliência dos países.

20 Abr 2026 - 09:01

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Foto: Adobe Stock/Photocreo Bednarek

Foto: Adobe Stock/Photocreo Bednarek

A energia solar fotovoltaica tornou-se, pela primeira vez, o maior contributo para o crescimento da oferta global de energia em 2025, marcando um ponto de viragem no sistema energético mundial.

A conclusão é de um novo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgado nesta segunda-feira, que analisa as principais tendências do setor ao longo do último ano.

Apesar de a procura global de energia ter crescido a um ritmo mais lento, nomeadamente, cerca de 1,3%, abaixo dos valores registados em 2024, o consumo de eletricidade manteve uma trajetória de forte expansão, aumentando aproximadamente 3%. Este crescimento foi impulsionado por vários setores, incluindo edifícios e indústria, e reforçado pela rápida expansão da procura proveniente de veículos elétricos e centros de dados.

Neste contexto, a energia solar destacou-se como o principal motor da expansão da oferta energética, sendo responsável por mais de um quarto do crescimento total em 2025. Trata-se da primeira vez que uma fonte renovável moderna assume a liderança no aumento da oferta global de energia primária, sublinha a agência liderada por Fatih Birol.

“A procura global de energia continuou a aumentar em 2025, num contexto económico e geopolítico complexo, com uma tendência inequívoca: a crescente eletrificação das economias”, afirma o diretor executivo da AIE.

Todos os principais combustíveis e tecnologias expandiram-se para responder ao aumento da procura, mas a ritmos muito diferentes. A energia solar fotovoltaica foi o maior contributo individual para o crescimento da oferta global de energia em 2025, representando mais de 25% do aumento, sendo a primeira vez registada em que uma fonte renovável moderna lidera o crescimento da oferta global de energia primária, sublinha a AIE. O gás natural ocupou o segundo lugar, com 17%, refletindo o seu papel na produção de eletricidade em muitos países. No total, as fontes renováveis e a energia nuclear satisfizeram quase 60% de todo o crescimento da procura de energia, sendo que a produção de eletricidade a partir destas fontes superou o crescimento total da procura de eletricidade.

A procura global de petróleo aumentou 0,7%. Este resultado reflete o crescimento contínuo dos veículos elétricos, que limitaram a procura de combustíveis rodoviários.

Carros elétricos impulsionam procura

Neste sentido, a AIE aponta que as vendas de carros elétricos em 2025 aumentaram mais de 20%, ultrapassando os 20 milhões de unidades, representando cerca de um em cada quatro carros novos vendidos no mundo. O forte crescimento das energias renováveis reduziu o uso de carvão na produção de eletricidade na China, enquanto a procura de carvão aumentou nos Estados Unidos, devido aos preços elevados do gás natural, que levaram à substituição de gás por carvão na produção elétrica. No geral, o ritmo de crescimento da procura de carvão abrandou em 2025.

Birol sublinha que “num cenário em rápida transformação, os países que privilegiarem a resiliência e a diversificação estarão mais bem preparados para gerir a volatilidade e garantir energia segura e acessível nos próximos anos”.

China e EUA na pole position

Por detrás dos totais globais, as tendências divergiram significativamente entre as principais economias. O crescimento da procura de energia nos Estados Unidos atingiu o segundo nível mais elevado deste século — excluindo períodos de recuperação pós-recessão — impulsionado pela forte procura de eletricidade por centros de dados, pela robusta atividade industrial e também por temperaturas de inverno mais frias. Entretanto, a China representou a maior parcela do crescimento global da procura de energia no ano passado, mas a sua taxa de crescimento caiu acentuadamente para 1,7%, à medida que as energias renováveis substituíram o carvão, menos eficiente, e os ganhos de eficiência energética se intensificaram.

Ao mesmo tempo, o crescimento das emissões globais de CO₂ relacionadas com a energia abrandou em 2025, aumentando cerca de 0,4%. Segundo o relatório, as emissões da China diminuíram em 2025, apoiadas por um aumento significativo das energias renováveis e de outras tecnologias de baixas emissões. As emissões de CO₂ relacionadas com a energia na Índia mantiveram-se estáveis pela primeira vez desde a década de 1970 — excluindo o período da pandemia de Covid-19.

Aposta no armazenamento e no nuclear

O armazenamento em baterias foi a tecnologia do setor elétrico com crescimento mais rápido em 2025. Os cerca de 110 gigawatts de nova capacidade de armazenamento em baterias adicionados durante o ano superaram o maior aumento anual de sempre na capacidade de gás natural.

Entretanto, mais de 12 gigawatts de reatores nucleares começaram a ser construídos em 2025, num contexto de renovado impulso para projetos nucleares em várias regiões, destaca a agência.

A implementação acumulada de tecnologias de baixas emissões desde 2019 evita atualmente um consumo anual de combustíveis fósseis equivalente à procura total de energia da América Latina. No conjunto, o uso de tecnologias como a energia solar, a energia eólica e as bombas de calor já substitui uma quantidade de gás natural equivalente a metade de todas as exportações globais anuais de GNL.

 

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