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Consumo elétrico dos centros de dados dispara com investimento a crescer 75% em 2026
Agência Internacional da Energia estima que o consumo elétrico dos centros de dados duplique até 2030, podendo triplicar no caso dos centros dedicados à inteligência artificial. Tecnológicas apostam em renováveis e nuclear para satisfazer procura.
17 Abr 2026 - 08:26
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O consumo de eletricidade dos centros de dados disparou em 2025, impulsionado pelo crescimento acelerado da inteligência artificial (IA), numa tendência que deverá intensificar-se nos próximos anos. Ao mesmo tempo, o investimento das grandes tecnológicas nesta área deverá aumentar 75% em 2026, após já ter ultrapassado os 368 mil milhões de euros no último ano.
De acordo com um novo relatório da Agência Internacional da Energia (AIE), que analisa a relação entre energia e IA, a procura de eletricidade por parte dos centros de dados cresceu 17% em 2025, muito acima da subida de 3% registada a nível global. Nos centros dedicados à IA, o aumento foi ainda mais expressivo.
Segundo o relatório “Key Questions on Energy and AI”, o consumo de energia por tarefa de IA está a diminuir rapidamente, com ganhos de eficiência a um ritmo sem precedentes na história da energia. No entanto, cada vez mais pessoas utilizam IA, e os usos mais intensivos em energia, como agentes de IA, estão a aumentar. Como resultado, prevê-se que o consumo de eletricidade dos centros de dados duplique até 2030, enquanto o dos centros focados em IA deverá triplicar.
O ritmo de expansão enfrenta, no entanto, vários constrangimentos. Problemas nas cadeias de abastecimento de equipamentos como turbinas, transformadores e chips avançados, bem como atrasos nas ligações à rede elétrica, estão a dificultar a concretização de novos projetos.
Além disso, o grande número de projetos de centros de dados está a pressionar os sistemas de planeamento e regulação, atrasando ligações à rede e outras aprovações necessárias.
Para resolver estes desafios energéticos, o setor tecnológico está a adotar novas abordagens. Em 2025, representou cerca de 40% de todos os contratos corporativos de compra de energia renovável, os denominados ‘power purchase agreements’ (PPA). Está também a tornar-se uma força impulsionadora nos setores nuclear e geotérmico avançado.
Segundo a AIE, a carteira de acordos condicionais de compra de energia entre operadores de centros de dados e projetos nucleares de pequenos reatores modulares (SMR, na sigla inglesa) cresceu de 25 gigawatts no final de 2024 para 45 gigawatts atualmente, indicando que o impulso da IA pode acelerar a comercialização de novas tecnologias energéticas. Também aumentam os projetos com produção própria de energia, sobretudo a gás natural, para contornar limitações das redes.
“O IEA foi pioneiro ao reconhecer que não há IA sem energia — e que os países que oferecem acesso seguro, acessível e rápido à eletricidade terão vantagem”, refere o diretor executivo da IEA, Fatih Birol. “Agora vemos que, embora a IA ainda consuma energia, está também a tornar-se uma força criadora de soluções energéticas, impulsionando inovações como reatores nucleares de nova geração, centros de dados flexíveis e armazenamento de energia de longa duração”.
Um dos principais desafios é que os centros de dados de IA apresentam variações rápidas e significativas na procura de energia, o que dificulta a resposta fiável das centrais a gás no local. Por isso, o armazenamento em baterias está a tornar-se uma tecnologia crítica para a próxima geração de centros de dados de IA, podendo até contribuir positivamente para a estabilidade das redes elétricas, se existirem os incentivos adequados.
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