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Greenpeace propõe neutralidade carbónica em Portugal até 2040 com corte de 39% na procura da energia
Estudo encomendado pela organização mostra que Península Ibérica pode atingir a neutralidade no setor energético se apostar em suficiência, eficiência e renováveis. Organização pede ao Governo português que assuma um compromisso.
20 Abr 2026 - 14:53
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A Greenpeace apresentou nesta segunda-feira um estudo técnico que sustenta a possibilidade de Portugal e Espanha poderem alcançar a neutralidade climática no setor energético até 2040, antecipando em uma década o calendário definido pela Comissão Europeia. A organização refere que o marco é possível através de uma redução de 39% da procura final de energia, apostando em suficiência, eficiência e renováveis, com uma poupança anual estimada em 7 mil milhões de euros para o país.
O documento, elaborado pelo Institute for Sustainable Futures da Universidade Tecnológica de Sydney para a Greenpeace Portugal e Espanha, propõe um modelo assente em três pilares: suficiência, eficiência e energias 100% renováveis, com o objetivo de eliminar o recurso a combustíveis fósseis e energia nuclear antes de 2040.
Segundo o estudo, a transição permitiria então reduzir em 39% a procura final de energia face aos níveis atuais, assegurando simultaneamente a cobertura integral dessa procura através de fontes renováveis. Entre os setores com maior potencial de redução destacam-se os transportes, com uma quebra estimada de 72%, a indústria, com 26%, e a habitação, com 20%.
Para a organização ambientalista, esta mudança representa uma solução para a vulnerabilidade energética e económica do país. A Greenpeace estima que Portugal poderá poupar cerca de 7 mil milhões de euros por ano em custos com combustíveis e geração de energia, em comparação com o cenário de continuidade das políticas atuais.
“Portugal não pode continuar refém de contextos geopolíticos instáveis nem de superpotências que controlam os combustíveis fósseis”, reitera o diretor da Greenpeace Portugal, Toni Melajoki Roseiro, citado em comunicado. O responsável sustenta que o plano é “tecnicamente viável e economicamente sensato” e considera que o principal obstáculo reside na “coragem política para acelerar este calendário”.
O relatório enquadra a proposta como resposta à inflação e à pobreza energéticas que continuam a afetar milhares de famílias portuguesas, defendendo a energia como “um direito básico e universal”.
A organização refere ainda que o cenário proposto dispensa o recurso à energia nuclear e a sistemas artificiais de captura e armazenamento de carbono, mantendo-se, adianta o estudo, a segurança do abastecimento “sem apagões”.
No plano ambiental, a Greenpeace argumenta que a estratégia reduz a pressão sobre recursos naturais e território. O cenário que incorpora medidas de suficiência energética permitiria poupar 120 mil hectares de ocupação de solo em toda a Península Ibérica face a um modelo centrado apenas na eficiência e nas renováveis.
A associação liga também a divulgação do relatório à preparação da Cimeira de Santa Marta, na Colômbia, marcada para 24 a 29 de abril, onde representantes de pelo menos 45 governos vão debater um possível abandono global dos combustíveis fósseis.
Neste contexto, a Greenpeace apela ao Governo português para assumir um compromisso firme de eliminação das fontes fósseis até 2040 e para levar à cimeira um plano de liderança internacional nesta matéria. Entre as medidas propostas está a redução de 77% do consumo de gás fóssil e de 68% do petróleo até 2035, bem como a duplicação da potência renovável instalada e a triplicação do autoconsumo até 2040.
A organização defende ainda a criação de um “Contrato Social Verde”, com reforço do transporte público, reabilitação de habitações, transição justa para trabalhadores de setores dependentes dos fósseis e maior participação cidadã nas decisões sobre política energética.
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