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Espanha quer liderar ação climática numa União Europeia que flexibiliza regras ambientais

Pedro Sánchez quer afirmar Espanha como líder da ação climática europeia, num momento em que Bruxelas e vários Estados-membros estão a recuar nas imposições da agenda sustentável.

30 Dez 2025 - 09:42

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Pedro Sánchez, presidente do Governo de Espanha | Foto: Wikimedia

Pedro Sánchez, presidente do Governo de Espanha | Foto: Wikimedia

Numa União Europeia (UE) onde a agenda ambiental está a ser marcada pela flexibilização da regulamentação, Espanha está a tentar assumir a liderança da luta contra as alterações climáticas. Mas mais do que uma mudança no discurso de Madrid, essa posição resulta do recuo de outros países-chave, como a Alemanha, e da própria Comissão Europeia (CE) na regulamentação destas temáticas, apontam analistas consultados pela agência espanhola EFEverde.

“O que mudou foi sobretudo o discurso dos outros atores”, afirmou à EFEverde Didac Amat i Puigsech, especialista em alterações climáticas e professor na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona. Na sua opinião, tanto a ex-ministra da Transição Ecológica, Teresa Ribera, como a atual ministra, Sara Aagesen, tiveram um peso político significativo no executivo espanhol, mas a diferença é que, no passado, essa ambição era acompanhada por uma UE que colocava o Pacto Ecológico no centro do debate político, algo que deixou de acontecer.

Ismael Bougahba, analista da Political Watch, concorda: “Estamos a assistir a um retrocesso da agenda climática, tanto ao nível interno da União Europeia, nas suas políticas, como ao nível da sua liderança global, como se viu na COP30, no Brasil.”. Nessa medida, “o Governo espanhol representa hoje a linha que a Alemanha tinha no passado”, explica Bougahba, acrescentando que esta mudança é também visível nas famílias políticas representadas no Parlamento Europeu.

Para o analista, o “paradoxo” do segundo mandato de Ursula von der Leyen à frente da Comissão Europeia é o facto de estar a desmontar “grande parte do legado do primeiro mandato”, num contexto em que o equilíbrio de poder na Europa se alterou significativamente. “Espanha tornou-se uma das poucas vozes que continuam a defender ativamente o Pacto Ecológico Europeu e a transição ecológica, mantendo uma posição muito firme nesta matéria”, sublinhou.

“Um erro histórico da Europa”. Foi assim que, por sua vez, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a proposta da CE para flexibilizar a proibição da venda de automóveis novos com emissões de dióxido de carbono (CO₂), prevista para 2035.

A crítica foi feita durante a apresentação da nova proposta de pacto estatal contra a emergência climática, na qual o Governo espanhol reafirma a ambição de “reforçar a liderança na ação climática” dentro da UE e de alcançar “maior ambição na descarbonização”.

Um impulso tardio

Apesar deste novo protagonismo, Amat recorda que Espanha chegou tarde à redução de emissões. Enquanto a UE começou a reduzir emissões desde 1990, em Espanha estas continuaram a aumentar até pouco antes da crise financeira.

“Atualmente estamos, mais ou menos, ao nível de emissões de 1990, quando a UE já tinha reduzido entre 20% e 25%. É verdade que, nos últimos anos, houve uma forte aposta nas energias renováveis, o que permitiu reduzir as emissões do setor energético, sobretudo da eletricidade, mas ainda há muito trabalho pela frente”, afirmou.

De acordo com dados do Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, Espanha atingiu o pico de emissões em 2007 e, em 2024, as emissões de gases com efeito de estufa eram 6,3% inferiores às de 1990. No conjunto da União Europeia, a redução foi muito mais significativa: menos 37% em 2024 face a 1990.

Além disso, apenas cerca de 30% da energia consumida em Espanha provém de fontes renováveis, uma percentagem inferior à de países como Suécia, Islândia, Noruega, Finlândia ou Dinamarca.

Apesar disso, os analistas consideram que a aposta espanhola é “perfeitamente racional”, dado que a eletrificação e a redução de emissões favorecem um país com abundância de sol e vento.

 

 

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