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Especialistas alertam para riscos de transformar os oceanos em “sumidouros” de carbono
Novas tecnologias podem ajudar a capturar CO₂, mas cientistas defendem que a prioridade deve ser reduzir emissões e monitorizar intervenções no oceano.
30 Nov 2025 - 09:32
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Os oceanos têm potencial para ajudar na captura de dióxido de carbono, mas as tecnologias atuais de remoção de carbono marinho ainda não estão preparadas para uso em larga escala. Um novo relatório do European Marine Board, organização que inclui a portuguesa Fundação para a Ciência e Tecnologia, destaca os riscos de avançar precipitadamente com métodos marinhos sem monitorização rigorosa e verificação independente.
“A ciência mostra que os oceanos podem fazer parte da solução climática, mas precisamos de reforçar a forma como os salvaguardamos antes de escalar estas tecnologias”, afirma Helene Muri, investigadora sénior no Instituto Norueguês de Investigação do Ar (NILU) e na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU).
As estratégias de remoção de carbono marinho incluem aumentar o crescimento de plâncton ou algas, ou recorrer a técnicas químicas e físicas que extraem CO₂ da água do mar, armazenando-o posteriormente em sedimentos profundos ou formações geológicas.
No entanto, os investigadores frisam que ainda existem dúvidas sobre a eficácia e a segurança ambiental desses métodos.
O relatório sublinha que, com o limite de aquecimento global de 1,5°C a aproximar-se, a redução imediata das emissões deve permanecer a prioridade. Tecnologias de remoção de carbono podem ser necessárias para compensar emissões residuais de setores difíceis de descarbonizar, como aviação e transporte marítimo, mas apenas quando houver padrões claros de monitorização, reporte e verificação, defendem.
Segundo Muri, cenários do IPCC indicam que, até ao final do século, será necessário remover entre 5 e 10 gigatoneladas de CO₂ por ano da atmosfera para atingir metas climáticas ambiciosas, comparando com as 42,4 gigatoneladas emitidas globalmente em 2024.
Apesar de promissoras, as abordagens marinhas ainda se encontram em fase inicial de desenvolvimento. Ensaios de campo testam diferentes métodos, mas muitas tecnologias requerem avaliação rigorosa de impactos ambientais e governança internacional antes de serem implementadas em larga escala.
“O oceano está em constante mudança, o que torna o rastreio e a gestão do carbono mais complexos. Não podemos avançar sem sistemas de crédito de carbono transparentes e cientificamente fiáveis”, alertou Muri.
O consenso entre os especialistas é claro: reduzir emissões continua a ser o caminho mais seguro, enquanto a remoção de carbono marinho deve ser explorada com cautela, dentro de padrões científicos rigorosos, para não se tornar numa “falsa solução” para combater as alterações climáticas.
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