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Europa poderá aumentar dependência de gás natural proveniente dos EUA
EUA poderão chegar a representar 80% das importações de GNL da União Europeia até 2028, diz estudo do IEEAF. “O plano da Europa falhou”, afirma analista do instituto.
13 Mai 2026 - 10:31
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A Europa está a aumentar a sua dependência do gás natural liquefeito (GNL) com origem nos Estados Unidos. As importações norte-americanas deverão ultrapassar o papel da Noruega enquanto maior fornecedor deste combustível no continente, ao passarem a representar dois terços das importações já este ano, segundo um novo estudo do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEAF).
O relatório prevê que os EUA poderão chegar a representar 80% das importações de GNL da União Europeia (UE) até 2028. O European LNG Tracker e o EU Gas Flows Tracker atualizados do IEEFA mostram que a dependência europeia do gás norte-americano mais do que triplicou entre 2021 e 2025, à medida que os países reduziram o seu vínculo ao gás russo transportado por gasoduto.
“A transição da Europa do gás de gasoduto para o GNL destinava-se a proporcionar segurança de abastecimento e diversificação. No entanto, as perturbações causadas pela guerra no Médio Oriente e a dependência excessiva do GNL dos EUA mostram que o plano da Europa falhou em ambos os aspetos”, constatou Ana Maria Jaller-Makarewicz, analista principal de energia europeia do IEEAF.
O instituto destaca que o gás natural dos EUA acaba por ser mais caro para os compradores europeus. “O GNL tornou-se o calcanhar de Aquiles da estratégia de segurança energética da Europa, deixando o continente exposto a preços elevados do gás e a novas formas de perturbação do abastecimento”, remata Jaller-Makarewicz.
UE mais dependente dos EUA e Rússia com crise
No entanto, o estudo reconhece que a crise energética em curso incentivou a Europa a reduzir a sua dependência do gás importado, nomeadamente através da nova estratégia “AccelerateEU” da UE. Por essa razão, o IEEAF prevê que o consumo de gás no espaço comunitário possa continuar a diminuir este ano e cair 14 % entre 2025 e 2030. Isto pode significar também uma diminuição de 23 % da procura de GNL durante o mesmo período.
Por sua vez, os países europeus continuam a projetar a construção de mais terminais de GNL. Os mesmos “poderão ficar subutilizados”, adianta o estudo. O instituto antecipa que “a capacidade de importação de GNL da Europa em 2030 poderá exceder a sua procura total de gás e atingir o triplo da sua procura de GNL”.
Jaller-Makarewicz frisa que “a Europa pode não ter controlo sobre as perturbações no abastecimento de GNL, mas pode aumentar a eficiência energética e acelerar a instalação de energias renováveis e de bombas de calor para reduzir a sua dependência das importações”.
A Rússia continua a ser o segundo maior fornecedor de GNL da UE, apesar de o bloco ter como objetivo declarado eliminar gradualmente as importações de gás russo até 2027, com sanções até 40 milhões de euros para empresas incumpridoras. As importações de GNL russo pela Europa aumentaram 16 % no primeiro trimestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior. Atingiram mesmo um recorde nos primeiros três meses deste ano, impulsionadas pelas entregas à França, Espanha e Bélgica.
“A guerra no Médio Oriente deixou a Europa mais dependente dos seus dois maiores fornecedores de GNL, os EUA e a Rússia. A crise energética de 2026 mostra que, enquanto os países europeus optarem por depender do gás, terão de aceitar os riscos geopolíticos que isso acarreta”, reiterou Jaller-Makarewicz.
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