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Fenómenos climáticos extremos afetaram 13 milhões de pessoas em África em 2025
Organização Meteorológica Mundial alerta para o agravamento dos impactos das alterações climáticas no continente, destacando cheias, secas e ciclones, enquanto apenas 40% dos países dispõem de sistemas de alerta precoce multirriscos.
18 Jun 2026 - 08:21
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Mais de 3.000 pessoas morreram e 13 milhões foram afetadas devido aos fenómenos meteorológicos e climáticos extremos em 2025 no continente africano, disse nesta quinta-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Estes fenómenos causaram “impactos em cascata em todos os setores da economia e da sociedade” africana, com os sinais das alterações climáticas “visíveis em toda a África, desde o aumento das temperaturas e da subida do nível do mar até às cheias e secas devastadoras”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, a propósito do relatório divulgado hoje por esta agência especializada das Nações Unidas.
“Este relatório evidencia não apenas a dimensão dos riscos, mas também a crescente importância dos alertas precoces, dos serviços climáticos e da ação coordenada para proteger vidas e meios de subsistência”, sublinhou a responsável.
Segundo o relatório, que reúne contributos de dezenas de especialistas, serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais, centros climáticos e parceiros do sistema das Nações Unidas, “o continente continua a ter dificuldades em lidar com estes impactos e apenas 40% dos países dispõem de sistemas de alerta precoce multirriscos, essenciais para salvar vidas e meios de subsistência”.
Ainda assim, enalteceram as melhorias no reforço da cooperação entre os serviços meteorológicos, os organismos de gestão de catástrofes e as autoridades locais, bem como os progressos nos serviços climáticos, como as previsões sazonais.
No mesmo relatório, a OMM detalhou que, em 2025, a temperatura média anual do ar à superfície em África ficou 0,51 graus centígrados acima da média do período 1991-2020.
Por outro lado, os glaciares africanos perderam mais de 90% da sua área desde o final do século XIX. No Monte Kilimanjaro, a área glaciar diminuiu de 11,4 quilómetros quadrados (km²) em 1900 para menos de 1 km² nos últimos anos.
Já o aquecimento dos oceanos prossegue em todo o continente, embora em 2025 o conteúdo térmico dos oceanos e a temperatura da superfície do mar tenham sido inferiores aos níveis recorde observados em 2023 e 2024, com a subida do nível do mar ao longo das costas africanas entre 1999 e 2025 a ultrapassar a média mundial de 3,6 milímetros por ano em várias regiões.
Quantos aos países lusófonos, foram registados totais anuais de precipitação acima da média na maior parte da África Austral em particular, Moçambique.
A agência recordou ainda que ciclones tropicais e as cheias afetaram várias zonas da África Austral no início de 2025.
“Moçambique foi atingido pelos ciclones Dikeledi, em janeiro, e Jude, em março, agravando os impactos já provocados pelo ciclone Chido, em dezembro de 2024”, recordou, detalhando que “mais de um milhão de pessoas foram afetadas pela passagem do Jude em Moçambique, tendo sido registadas 16 mortes e mais de 492 mil deslocados”.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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