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Carros cada vez maiores: faturas de carregamento podem subir 36 mil milhões até 2040

Desde 2000, o comprimento médio dos veículos tem aumentado 1,2 centímetros por ano, enquanto a altura total cresce, em média, 0,5 cm por ano. Carros maiores aumentam também as necessidades de energia, entre outros riscos, alerta a T&E.

27 Jun 2026 - 10:17

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Foto: Unsplash

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Os automóveis vendidos na Europa são cada vez maiores e começam a colocar em risco a eficiência energética dos países, mostra um novo estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E). 

O estudo da T&E prevê que, caso a tendência de aumento dos carros continue, serão consumidos cerca de 116 TWh até 2040, na União Europeia e Reino Unido, em comparação com um cenário com veículos mais compactos. Este consumo adicional teria um custo de 36 mil milhões de euros nas faturas de carregamento das famílias no período entre 2026 e 2040, dos quais cerca de 7 mil milhões de euros em 2040.

Desde 2000, o comprimento médio dos novos veículos tem aumentado 1,2 centímetros por ano, enquanto a altura total cresce, em média, 0,5 centímetros por ano, de acordo com a T&E.  

Aumento das dimensões dos carros | Gráfico: T&E

Ao terem maiores dimensões, os veículos requerem também mais energia para a sua utilização, o que no caso dos veículos elétricos se traduz numa maior necessidade de produção de eletricidade e em custos acrescidos para os utilizadores. 

Esta tendência verifica-se igualmente nos veículos com motor de combustão interna. Neste contexto, a continuação da tendência de aumento das dimensões dos automóveis poderá representar um consumo adicional de cerca de 100 milhões de barris de petróleo até 2040, o que representaria 10 mil milhões de euros (considerando a média do preço do barril entre 2021 e 2025).

Neste sentido, a associação portuguesa ZERO, membro da T&E, alerta que a atual tendência de crescimento das dimensões dos automóveis “constitui uma ameaça sem precedentes ao espaço público das cidades europeias com consequências negativas para a segurança rodoviária e implica um maior consumo de energia, com os respetivos custos económicos e ambientais associados”. 

Nas cidades europeias, estima-se que cerca de 50% do espaço público já está dedicado ao transporte rodoviário, de acordo com o relatório da T&E. 

No caso das cidades portuguesas, esta forte ocupação do espaço pelo transporte rodoviário traduz-se frequentemente em “passeios estreitos ou inexistentes, estacionamento ilegal, falta de ciclovias e de faixas BUS, bem como na insuficiente arborização, que é essencial para mitigar as elevadas temperaturas no verão”, afirma a ZERO. 

Neste contexto, a associação considera que o aumento das dimensões dos veículos “exercerá uma pressão adicional sobre o espaço urbano, podendo conduzir à ocupação de áreas atualmente destinadas aos peões, ciclistas, transporte público e estacionamento à superfície”. 

O estudo revela ainda que as cidades europeias poderão perder entre 8,5% e 14% dos seus lugares de estacionamento em superfície até 2040, ou espaço equivalente para usos associados à mobilidade sustentável e à adaptação climática, caso a tendência de aumento das dimensões dos veículos novos continue.

Além dos riscos para as cidades e para o ambiente, o relatório da T&E alerta que veículos maiores podem causar mais fatalidades na estrada e deixar as crianças numa situação “particularmente vulnerável”. 

O estudo projeta um agravamento do número de vítimas entre os utilizadores vulneráveis da via pública, como peões, ciclistas, motociclistas e utilizadores de ciclomotores, estimando-se que, em 2040, ocorram mais 400 mortes anuais no cenário atual, em comparação com o cenário de “redimensionamento adequado”. 

Entre 2026 e 2040, a continuação das tendências atuais poderá resultar, face ao cenário desejado, em mais 2.500 mortes de adultos e mais 79 mortes de crianças nas estradas europeias. 

O aumento da altura dos capots constitui um risco particularmente elevado para as crianças que apresentam maior probabilidade de serem atingidas na cabeça ou no tórax, prevendo-se um aumento em 40% do número de crianças peões vítimas mortais de atropelamento em 2040. 

No seguimento dos perigos apontados pela T&E, a ZERO recomenda introdução de um limite máximo de 85 cm para a altura do capot e de 192 cm para a largura dos automóveis a nível europeu, aplicável a partir de 2033 e a todos os veículos novos comercializados a partir de 2036. 

Além disso, a associação alerta para a urgência de realizar uma reforma da fiscalidade nacional aplicável a veículos ligeiros de passageiros, de forma a garantir “que os impostos de registo e de circulação desincentivem efetivamente a aquisição de veículos de maiores dimensões”, incluindo o Imposto Único de Circulação, o Imposto Sobre Veículos e o IVA.

A ZERO sugere ainda um reajuste das portagens, de forma a refletirem também a dimensão dos veículos e aplicação de tarifas de estacionamento mais elevadas para veículos de maiores dimensões. 

Do mesmo modo, a associação sugere a criação de iniciativas de promoção de veículos elétricos compactos (com comprimento não superior a 4,2 metros) no âmbito da revisão da legislação europeia relativa às emissões de CO₂ dos automóveis. 

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