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Portugal entre os bons exemplos da UE no incentivo ao uso de carros elétricos nas empresas
Automóveis das empresas representam cerca de 60% das novas matrículas na UE. Dos 27 Estados-membros da UE, 18 dispõem de sistemas fiscais que não promovem a eletrificação das frotas. Entre estes, 12 não oferecem qualquer tipo de incentivo.
01 Jun 2026 - 13:43
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Portugal está entre os únicos nove Estados-membros da União Europeia que oferecem incentivos fiscais claros para que as empresas escolham veículos elétricos, mostram dados publicados nesta segunda-feira pela organização de defesa ambiental Transporte e Ambiente (T&E).
Ao lado de França, Dinamarca e Grécia, Portugal faz parte do grupo de países que oferecem um benefício fiscal que reduz o custo inicial de um veículo elétrico até, pelo menos, igualar o de um automóvel equivalente a combustão.
Os automóveis das empresas representam cerca de 60% das novas matrículas na UE e tendem a ser utilizados cerca de duas vezes mais do que os veículos particulares antes de entrarem no mercado de segunda mão, mostram dados da T&E.
Dos 27 Estados-membros da UE, 18 dispõem de sistemas fiscais que não promovem a eletrificação das frotas. Destes, 12 países não oferecem qualquer tipo de incentivo à opção por veículos elétricos nas empresas, mostra o estudo.
Alguns dos maiores mercados automóveis da Europa, como a Alemanha, Espanha, Itália e Polónia, pertencem a este último grupo, sem incentivos eficientes. Consequentemente, 68% de todas as matrículas de automóveis de empresas ocorrem em países sem um sinal fiscal claro a favor dos veículos elétricos, e 49% em países sem qualquer incentivo fiscal.
Os governos podem incentivar as empresas a adotarem veículos elétricos através de diferentes instrumentos fiscais, podendo algumas medidas ser aplicadas a todos os compradores ou então apenas a empresas, com impostos de circulação ou dedutibilidade do IVA, respetivamente. Para a T&E, são estas medidas que determinam se o sistema fiscal torna “um veículo elétrico mais atrativo do que um equivalente a gasolina”.
Portugal concentra os seus incentivos nos instrumentos fiscais disponíveis para as empresas. Os veículos elétricos a bateria estão isentos de tributação autónoma até ao valor de 62.500 euros, enquanto os automóveis a gasolina enfrentam taxas crescentes em função do seu valor, sublinha o estudo. A mesma lógica aplica-se aos benefícios fiscais empresariais: a dedução do IVA e as amortizações fiscais estão limitadas a 25.000 euros para automóveis a gasolina, mas atingem 62.500 euros para veículos elétricos.
Esta abordagem fiscal permitiu a Portugal alcançar uma taxa de adoção de veículos elétricos empresariais de 25%, mais de três vezes superior à da vizinha Espanha, mostra o estudo.
No caso de França, o país adota uma estratégia mais abrangente ao combinar uma forte tributação na aquisição, com instrumentos específicos para empresas. Segundo os dados da T&E, as reformas fiscais francesas também já mostram resultados: a adoção de veículos elétricos por frotas empresariais atingiu 41% em março de 2026, quase o dobro da taxa registada na Alemanha (21%).
O mesmo relatório mostra também que os governos não estão a tributar adequadamente o consumo de combustível e as emissões dos veículos a gasolina. Em contrapartida, alguns países, como Portugal e a Bélgica, aplicam sinais fiscais mais fortes contra os automóveis de empresa a gasolina.
Outros países, incluindo Alemanha e Polónia, tributam de forma pouco significativa os veículos com maior consumo de combustível ou até os favorecem. A Alemanha é o exemplo mais evidente desta contradição, mostra o estudo: quanto maior e mais poluente é o automóvel de empresa a gasolina, maior é o benefício fiscal concedido.
Os dados revelados por este estudo mostram que os veículos de combustão continuarão a entrar na frota europeia durante muitos anos. A T&E estima que cerca de 20 milhões de novos automóveis de combustão interna sejam matriculados por empresas até 2030, sendo posteriormente colocados no mercado de segunda mão.
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