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Governos prevêem extrair mais 120% de fósseis do que dita a meta para o aquecimento global
Production Gap Report mostra que desde a última análise, em 2023, os planos de produção de carvão subiram 7% e os de gás 5%. Números contrastam com necessidade de eliminar a maior parte do carvão até 2040.
23 Set 2025 - 08:38
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Dez anos após a assinatura do Acordo de Paris, os planos globais para a produção de carvão, petróleo e gás continuam em rota de colisão com os compromissos climáticos. O Production Gap Report deste ano, publicado desde 2019, mostra que os governos prevêem extrair, até 2030, mais 120% de combustíveis fósseis do que seria compatível com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5ºC.
O relatório, que analisa as políticas de 20 grandes produtores, conclui que a tendência é de agravamento: entre 2023 e 2024, os planos de produção de carvão subiram 7% e os de gás 5%. O petróleo mantém uma trajetória de crescimento até 2050. Estes números contrastam com a necessidade de uma redução drástica, que deveria levar a quase eliminar o carvão até 2040 e cortar em três quartos a produção e consumo de petróleo e gás até meados do século.
Apesar dos compromissos internacionais de eliminar subsídios “ineficientes” aos fósseis, muitos governos continuam a canalizar apoios diretos e indiretos. O Canadá investe em infraestruturas, o Brasil facilita contratos, China, Índia e México financiam empresas estatais, enquanto os EUA e a Noruega abrem novas áreas de exploração.
Entre os países analisados, 17 planeiam aumentar a produção de pelo menos um combustível fóssil até 2030 e 13 prevêem fortes crescimentos no gás. Em 11 desses países, as previsões de produção para 2030 são agora mais altas do que em 2023.
Ainda assim, há sinais positivos. A Alemanha acelerou o calendário para o fim do carvão, a Colômbia aprovou um roteiro de Transição Energética Justa, o Brasil lançou um programa de aceleração e a China cumpriu seis anos antes a sua meta de renováveis para 2030, reduzindo emissões apesar do aumento da procura energética.
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