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Guerra e energia cara aceleram renováveis, diz ONU: “A lógica económica tornou-se impossível de ignorar”
No arranque das conversações que antecedem a COP31, secretário executivo para as Alterações Climáticas da ONU, avisou que a crise dos combustíveis fósseis está a sufocar a economia mundial, mas também a acelerar a transição para energias renováveis.
30 Abr 2026 - 10:51
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Simon Stiell, UN Climate Change, na abertura dos diálogos de alto nível rumo à COP31
Em Paris, no arranque de uma série de diálogos de alto nível rumo à próxima conferência do clima (COP), Simon Stiell traçou um retrato sombrio do impacto económico da guerra no Médio Oriente, mas reconheceu um efeito inesperado na aceleração global para as energias renováveis.
No discurso de abertura da iniciativa conjunta da Agência Internacional de Energia e da presidência da COP31, o secretário para as alterações climáticas da ONU, afirmou que o conflito está a provocar “um terrível custo humano”, com “civis a sofrer, vidas destruídas e economias a estagnar”. Além disso, referiu que os efeitos económicos se tornaram globais, impulsionados pela volatilidade dos combustíveis fósseis.
“O custo dos combustíveis fósseis tem agora o pé na garganta da economia global, com a estagflação em marcha”, disse. Ainda assim, Stiell destacou uma “imensa ironia”: os choques energéticos estão a tornar as renováveis mais competitivas e atrativas.
Segundo o responsável, o investimento em energia limpa no último ano deverá ter atingido o dobro do destinado aos combustíveis fósseis, enquanto a produção solar registou “um aumento colossal” de 600 terawatts-hora face a 2024. “A lógica económica das renováveis tornou-se impossível de ignorar”, admitiu.
Stiell defendeu que fontes como solar e eólica oferecem “energia mais segura, barata e limpa”, menos exposta a conflitos geopolíticos ou estrangulamentos logísticos. Adiantou que países com forte capacidade renovável, como Espanha ou Paquistão, terão sido parcialmente protegidos da crise atual.
O secretário executivo destacou ainda que várias economias, incluindo China, Índia, Alemanha ou Reino Unido, estão a acelerar planos de transição energética por razões que vão além do clima: segurança nacional, estabilidade económica e soberania. Em França, exemplificou, o financiamento para eletrificação está a duplicar.
Apesar do “momento real” de impulso, Stiell alertou para riscos de retrocesso. Os governos, advertiu, devem evitar “bloquear” investimentos em combustíveis fósseis a longo prazo enquanto respondem à crise imediata. Defendeu também a necessidade de dissociar os preços da eletricidade dos combustíveis fósseis, para que o custo mais baixo das renováveis se traduza em faturas também mais reduzidas.
Para Stiell, um dos principais entraves à transição continua a ser o financiamento, sobretudo nos países em desenvolvimento. “Temos de fazer fluir o financiamento rapidamente”, reiterou, ao defender a concretização do novo objetivo coletivo de financiamento climático e um roteiro credível até 1,3 biliões de dólares.
Entre as prioridades imediatas, Stiell mencionou o investimento em redes elétricas e armazenamento, a redução das emissões de metano e a segurança alimentar, num momento em que a guerra está a agravar a escassez de fertilizantes e “ameaça empurrar 45 milhões de pessoas para a fome aguda”.
O responsável apelou ainda a uma maior cooperação internacional e ao reforço da chamada “Agenda de Ação” do Acordo de Paris, ao envolver governos, empresas e sociedade civil na concretização de projetos no terreno. Com a próxima conferência climática a realizar-se em Antália, na Turquia, Stiell deixou um aviso final: “Temos de aproveitar este momento. Não há tempo a perder.”
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