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Simon Stiell alerta para “estagflação fóssil” e pede aceleração da transição energética
Responsável da ONU para o clima avisou que crise energética agravada pela guerra está a “prender” o mundo a custos elevados dos combustíveis fósseis e defendeu mais investimento em energia limpa, redes e ação imediata para cumprir o Acordo de Paris.
21 Abr 2026 - 09:35
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Simon Stiell, secretário executivo UNFCCC | Foto: LinkedIn
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Simon Stiell, secretário executivo UNFCCC | Foto: LinkedIn
O secretário executivo para as Alterações Climáticas das Nações Unidas, Simon Stiell, abriu nesta terça-feira o Diálogo Climático de Petersberg com um aviso sobre o momento geopolítico e energético atual. “Estamos em tempos perigosos”, proferiu, ao realçar que o mais recente conflito no Médio Oriente veio “prender ainda mais” a economia global a preços elevados dos combustíveis fósseis “por meses e provavelmente anos”.
Segundo Stiell, essa dependência está a alimentar uma “estagflação movida por combustíveis fósseis”, que “aumenta preços, trava o crescimento, empurra orçamentos para pântanos de dívida e retira autonomia às políticas públicas”. A resposta, defendeu, passa por reforçar a cooperação climática e acelerar a transição energética: “A energia limpa oferece segurança e acessibilidade, devolvendo soberania às nações e aos seus povos”.
Num encontro que reúne ministros de mais de 40 países em Berlim, o responsável da ONU insistiu que a fase atual já não é de promessas, mas de execução. Stiell argumentou que as negociações internacionais, que resultaram em compromissos relevantes, incluindo o primeiro balanço global na COP28, têm agora de ser traduzidas em projetos concretos. “Devemos dividir metas globais em partes alcançáveis, associá-las a soluções e entregar resultados”, afirmou, com os olhos postos no próximo balanço global na COP33.
Stiell destacou o papel da chamada “Agenda de Ação” do Acordo de Paris para acelerar a implementação e mobilizar investimento. “Tem mobilizado biliões de dólares na economia real e empurrado setores-chave para pontos de viragem positivos”, disse, acrescentando que “a transição para a energia limpa é agora irreversível”.
Entre as prioridades imediatas, denotou a modernização das redes elétricas, crucial para integrar renováveis e reduzir rapidamente emissões, e o corte das emissões de metano até 2030, gás com forte efeito de aquecimento. Referiu ainda sistemas de alerta precoce, cidades sustentáveis e cadeias alimentares resilientes. “A ação na alimentação e agricultura pode cortar um terço das emissões globais”, reiterou, citando dados da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO).
O representante da ONU apelou também a mais financiamento para países em desenvolvimento e a coligações de países “dispostos a liderar” entre conferências climáticas. Nesse contexto, destacou o trabalho preparatório das futuras presidências, nomeadamente a COP31 na Turquia, em articulação com a Austrália, e o enquadramento definido pelo Brasil para orientar o progresso até ao próximo balanço global.
Stiell sublinhou que “Paris está a funcionar”, ecoando a declaração unânime dos países na COP30, mas advertiu que é preciso ir “mais longe e mais depressa”.
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