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Guterres na COP30: “Todas as delegações têm o dever de chegar a um acordo equilibrado”
Secretário-geral da ONU declara que uma das grandes falhas no combate à crise climática está na falta de financiamento e pede maior esforço dos países e dos bancos de desenvolvimento na transição.
20 Nov 2025 - 17:23
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António Guterres, secretário-geral das Nações | Foto: Antonio Scorza/COP30
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António Guterres, secretário-geral das Nações | Foto: Antonio Scorza/COP30
“Nenhuma delegação sairá de Belém com tudo o que deseja, mas todas as delegações têm o dever de chegar a um acordo equilibrado”, declarou o secretário-geral da ONU, na COP30, no Brasil. Nesta quinta-feira, António Guterres salientou que ainda é possível reduzir as temperaturas para menos de 1,5 graus antes do final do século se os países agirem “agora para tornar esse aumento o menor, mais curto e mais seguro possível”.
Guterres alertou que o compromisso dos países desenvolvidos de duplicar o financiamento da adaptação ainda este ano está cada vez mais distante. “É essencial triplicar” até 2030, esclareceu, ao relembrar que também o Fundo de Perdas e Danos permanece, em grande parte, vazio.
“Exorto todos os financiadores – parceiros bilaterais, fundos climáticos e bancos multilaterais de desenvolvimento – a intensificarem os seus esforços e a evitarem novas tragédias”, invoca o líder das Nações Unidas. Porque, acrescenta, “para milhões [de pessoas], a adaptação não é um objetivo abstrato. É a diferença entre reconstruir e ser varrido, entre replantar e passar fome, entre permanecer na terra ancestral ou perdê-la para sempre”.
Com as atuais NDC o mundo continua a caminho dos 2ºC
O antigo governante português reconhece que já houve avanços desde o Acordo de Paris, mas ainda não são suficientes. Explica que, mesmo com a implementação completa das atuais Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla inglesa), o mundo continuará “num caminho bem acima dos 2 graus de aquecimento global”.
Aponta que “todos os países, especialmente os grandes emissores, devem fazer mais”, ao argumentar que devem terminar “as distorções do mercado que favorecem os combustíveis fósseis”. Guterres acredita também que é crucial combater a desinformação que “visa sabotar a transição”.
“Os governos têm de apoiar os trabalhadores e as comunidades que ainda dependem do carvão, do petróleo e do gás”, descreve. A seu ver, isto pode ser feito através de formação, proteção e novas oportunidades.
A energia verde deve servir todos
No que toca as renováveis, para que a energia limpa tenha mais alcance, Guterres defende a criação de uma “Coligação Global para Redes, Armazenamento e Eletrificação”. Além disso, sublinha a necessidade de se cortar “drasticamente” as emissões de metano ainda nesta década.
De maior importância, o secretário-geral diz ser “imperativo deter e reverter o desmatamento até 2030, para que a natureza continue a ser um escudo, e não uma vítima”.
Países desenvolvidos responsáveis por liderar transição climática
No cenário financeiro, reitera que os países desenvolvidos devem liderar a mobilização de “pelo menos” 300 mil milhões de dólares por ano até 2035 e adotar um caminho “claro” para alcançar 1,3 biliões de dólares anuais em dez anos. Guterres acredita que “regras mais simples devem permitir que os países vulneráveis obtenham apoio rapidamente”.
O custo de capital para as economias em desenvolvimento, expõe, “deve cair drasticamente, por meio de financiamento concessionário, garantias de dívida e instrumentos inovadores”. Adiciona que os bancos multilaterais de desenvolvimento “devem desempenhar um papel decisivo”.
“O que tem falhado é a vontade política para tomar as decisões necessárias. Se a arquitetura financeira internacional não puder atender a este momento, a reforma torna-se uma necessidade, não uma opção”, remata ao apelar a que “coloquem as pessoas antes do lucro”.
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