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Mais de 650 milhões de pessoas continuam a viver sem eletricidade
As renováveis representam cerca de 30% do consumo global de eletricidade, segundo a Agência Internacional de Energia. Mas financiamento e melhorias na eficiência energética têm aumentado.
25 Jun 2026 - 13:42
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Mais de 650 milhões de pessoas no mundo continuam a viver sem eletricidade e dois mil milhões utilizam combustíveis e tecnologias poluentes para cozinhar, colocando a sua saúde e bem-estar em risco, assinala a Agência Internacional de Energia (AIE) num novo relatório.
A África Subsariana é o principal palco desta situação, com mais de 560 milhões de pessoas sem eletricidade e 970 milhões sem acesso a formas de cozinhar sem poluentes.
A edição mais recente do relatório ‘Tracking SDG 7: The Energy Progress Report’ mostra que, embora a maioria das regiões esteja perto do acesso universal, o progresso na África Subsariana abrandou significativamente e o ritmo de eletrificação terá de triplicar para alcançar o acesso universal até 2030.
Apesar destes desafios, A AIE destaca progressos em várias áreas da energia sustentável. Nomeadamente, as renováveis continuam a expandir-se, representando mais de 30% do consumo global de eletricidade, enquanto a capacidade de geração renovável atingiu um recorde global de 544 watts por pessoa.
Os fluxos financeiros públicos internacionais de apoio à energia limpa nos países em desenvolvimento aumentaram ligeiramente para cerca de 22,6 mil milhões de euros e as melhorias na eficiência energética global continuaram também a aumentar, atingindo 3,76 megajoules por dólar americano, embora ainda a um ritmo insuficiente para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 7) das Nações Unidas, que visa garantir o acesso universal a energia acessível, fiável, sustentável e moderna até 2030.
“O acesso à energia moderna começa com dois fundamentos: cozinhar de forma limpa e a eletricidade”, sublinha Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia. Acrescenta que “embora o ODS 7 seja um objetivo energético, os seus benefícios vão muito além do setor da energia, melhorando a saúde, ampliando as oportunidades económicas, reforçando a segurança e construindo comunidades mais resilientes”.
Apostar nas renováveis
O relatório destaca que a implementação de energias renováveis é cada vez mais vista como essencial tanto para reforçar a segurança e a acessibilidade energética como para avançar nos objetivos climáticos e de desenvolvimento a longo prazo.
Soluções de energia renovável descentralizada, incluindo solar fora da rede e recurso a ‘mini-redes’, são vistas como uma solução de baixo custo para o acesso à eletricidade.
O uso de eletricidade para cozinhar, bem como o bioetanol e o biogás, também estão a ganhar força como soluções renováveis escaláveis para cozinhar, ajudando a diversificar as vias de acesso a energia limpa, sublinha a AIE.
A acessibilidade económica continua a ser um grande obstáculo à expansão do acesso à eletricidade. Mesmo onde existe infraestrutura, muitas famílias não conseguem pagar taxas de ligação, custos de instalação ou serviços energéticos básicos, destaca a associação, sublinhando que são necessários subsídios direcionados, mecanismos financeiros e soluções de eletrificação de menor custo para garantir que ninguém fica para trás.
Os fluxos financeiros internacionais de apoio à energia limpa para os países menos desenvolvidos diminuíram significativamente, atingindo cerca de 3,4 mil milhões de euros em 2024, uma redução de 11% face a 2023.
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